Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
8

Cientista cubano quer ter nacionalidade portuguesa

Fala português fluentemente e assegura que não vai voltar para a “sua” Havana. Ricardo Gonzalez Felipe, cubano, de 46 anos, é investigador, especialista em Física de Partículas, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Recentemente ganhou um concurso para professor coordenador no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), o que acelerou a decisão de permanecer no nosso país.
21 de Janeiro de 2007 às 00:00
Cientista cubano quer ter nacionalidade portuguesa
Cientista cubano quer ter nacionalidade portuguesa FOTO: Vítor Mota
“Pretendo ficar cá. Ainda não sabia qual ia ser o futuro, porque podemos ser convidados para fazer pós-doutoramentos noutros países. Mas como já estou cá há nove anos, decidi adquirir a nacionalidade.” Ricardo Felipe foi um dos mais de 900 imigrantes a residir em Portugal que realizou a prova de Língua Portuguesa, prevista na Lei da Nacionalidade e exigida para a concessão desse estatuto.
Na Escola Básica 2/3 Nuno Gonçalves, em Lisboa, foram 24 os imigrantes que responderam à chamada. A maior parte naturais dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, mas também alguns do Leste europeu ou da Ásia, incluindo da Índia. No total, as primeiras provas realizaram-se em 57 escolas portuguesas e em três centros de países estrangeiros – México, Espanha e Rússia.
O exame consistiu em perguntas de carácter prático. “É mais uma coisa simbólica, de situações que podemos encontrar no dia-a-dia, muito simples como responder a anúncios, como ir a uma consulta ao hospital”, explicou o cientista cubano. Em relação ao país, Ricardo Felipe diz que se sentiu bem desde que aterrou em Lisboa. “As pessoas são simpáticas e a língua não foi problema.”
“O mais importante é o reconhecimento da língua como principal factor de integração”, realçou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que visitou duas escolas em Lisboa, acompanhada pelo ministro da Justiça, Alberto Costa, pelo secretário de Estado da Justiça, Tiago Silveira, e pelo alto-comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, Rui Marques. Assistiram ao início das provas na D. José I, no Lumiar, e ‘encerraram’ o dia na Nuno Gonçalves, na Penha de França.
Para a governante, que ouviu ainda a opinião de alunos da escola, para quem os colegas imigrantes são bons alunos em Matemática e Inglês, a exigência de uma prova de Língua Portuguesa como condição para aquisição da nacionalidade “é um requisito mínimo, mas aceitável para a convivência na sociedade portuguesa”.
O ministro Alberto Costa realçou que, com a nova lei, “a escola dá credibilidade a esta prova”, mostrando-se “muito impressionado” com o nível de conhecimentos da língua e cultura portuguesas manifestado por alguns candidatos. “Disseram-nos que já tinham lido romances em língua portuguesa”, assinalou.
As próximas provas realizam-se a 3 de Março.
PERFIL
Ricardo Felipe nasceu em Havana, Cuba, há 46 anos. Licenciou-se na Univ. Estatal de Moscovo (Rússia) e regressou a Cuba como investigador associado. Doutorou-se em Helsínquia (Finlândia), seguindo-se dois pós–doutoramentos: em Louvain-la-Neuve (Bélgica) e no Instituto Superior Técnico. Membro do Centro de Física Teórica e de Partículas do IST, concorreu para professor coordenador no I.S. Engenharia de Lisboa, assegurando o lugar.
MAIS DIREITOS, MENOS PAPÉIS PARA TRATAR
Tímida, Lidiya Hrynchyshyn aguardava a saída do marido, que também realizou a prova. “Correu bem, era fácil”, assegurou a ucraniana de 29 anos, há sete em Portugal e costureira de profissão. Aprendeu a língua de Camões sozinha e, se adquirir a nacionalidade portuguesa, admite que terá mais direitos.
Já Alberto Chaves, angolano, considera que ser cidadão português terá uma vantagem: “Não ter de acordar cedo para passar a vida em filas no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Já passei lá muitas noites.”
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)