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Correio da Manhã

Portugal
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Cigarro mais seguro

A British American Tobacco (BAT) lançará, no próximo ano, uma marca de cigarros que, afirma, reduz em 90 por cento os riscos de padecer de cancro e problemas cardíacos, em relação aos cigarros hoje existentes.
7 de Novembro de 2005 às 00:00
Doze mil portugueses morrem por ano vítimas do consumo de tabaco
Doze mil portugueses morrem por ano vítimas do consumo de tabaco FOTO: Haydn West/Epa
Em Portugal, o consumo de tabaco mata cerca de 12 mil pessoas por ano. A pneumologista Maria João Gomes sublinha ao CM que não existe qualquer forma inócua de fumar. “A inalação de produtos estranhos ao organismo é prejudicial.”
A BAT, multinacional responsável por mais de 300 marcas de cigarros, entre elas Dunhill, Lucky Strike e Pall Mall, defende que o novo cigarro é menos perigoso porque aperfeiçoou o método de secagem das folhas do tabaco, de forma a reduzir as substâncias cancerígenas na combustão.
Por outro lado, produziu um novo filtro que impede que a maioria dessas substâncias sejam inaladas, deixando, no entanto, passar a nicotina (substância viciante), noticiou, ontem, o ‘Sunday Times’.
PNEUMOLOGISTA CONTRA
A BAT pretende publicitar os seus novos cigarros como “potencialmente mais seguros”. Maria João Gomes tem “dúvidas sobre a honestidade de tal afirmação” e interroga-se se “um tal rótulo – de acordo com a legislação da União Europeia – será possível de aplicar nos maços”.
Por sua vez, o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, António Segorbe Luís, desvaloriza tal descoberta, recordando que “estudos efectuados aos cigarros ‘light’ demonstraram que os danos para a saúde são idênticos aos dos cigarros simples”.
A empresa tem adoptado uma postura cautelosa na divulgação do seu mais recente produto, temendo a previsível reacção céptica de médicos e organizações antitabagistas.
John Britton, professor de epidemiologia da Universidade de Nottingham, disse que tudo o que seja inalar tabaco representa um risco para a saúde. “Fumar esses novos cigarros seria como saltar do décimo quinto andar de um prédio em vez de saltar do vigésimo. Em teoria, o risco é menor, mas a pessoa morre na mesma.”
Os cigarros são um dos responsáveis pelo diagnóstico de doenças cardíacas, respiratórias e pelo aparecimento de tumores. O vício também afecta os brônquios, causa tosse, expectoração, enfarte do miocárdio e morte súbita. O número de fumadores está em queda no nosso país – há nove anos existiam 3,6 milhões, hoje são dois milhões.
"FALTAM CONSULTAS DE TABAGISMO"
Principal responsável pelas doenças ligadas aos pulmões, o tabaco será um dos temas abordados no XXI Congresso de Pneumologia, que a partir de quarta-feira decorre no Vidago (Chaves). Para António Segorbe Luís – presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, entidade organizadora do congresso –, uma das lacunas do sistema de saúde é a inexistência de uma rede de centros de saúde com consultas de tabagismo.
“Há um grande interesse por parte das pessoas nestas consultas, havendo listas de espera nos serviços de pneumologia do País, pelo que entendemos que a desabituação tabágica deveria ser estendida a todo o território.”
Apesar do número de fumadores ter decrescido, Segorbe Luís salienta que Portugal regista os números mais elevados de sempre de doentes.
“Os números são preocupantes, porque a maioria dos fumadores com início do hábito nas décadas de sessenta e setenta sofre agora os danos mais graves na sua saúde.”
CINEMA É CAUSA DE VÍCIO NOS JOVENS
ESTUDO
Perto de 40 por cento dos adolescentes norte-americanos que decidiram fumar fizeram-no porque viram actores de cinema com cigarros, divulgou o estudo da Escola Médica de Dartmouth, que fez inquéritos a 6522 jovens com idades entre os 10 e 14 anos.
AVISO
Para James Sargent, pediatra responsável pelo estudo, as conclusões obtidas deixam claro que os adolescentes não são imunes à influência do tabagismo patente nos filmes. Estão 2,6 vezes mais expostos a tentar que adolescentes sem acesso a estes filmes.
EUA
Um estudo do Governo dos Estados Unidos, realizado em Março último, em todo o país, revela que 22,3 por cento dos estudantes do ensino secundário e 8,1 por cento dos alunos do ensino básico afirmaram que fumaram pelo menos uma vez no último ano.
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