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Correio da Manhã

Portugal
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CINCO HORAS SOTERRADO

Eu acreditava no que os bombeiros me diziam, mas só quando falei com o meu marido à porta do Hospital de Torres Vedras e vi que ele estava bem é que descansei”, contou ao CM Maria Raquel, mulher de João Alves, o operário que só ontem, pelas 01h30, foi resgatado de um silo, onde permaneceu soterrado durante cinco horas.
4 de Dezembro de 2004 às 00:00
Pouco depois de regressar de Lisboa, onde deixou o marido internado numa clínica ortopédica – só segunda-feira se saberá da necessidade de uma intervenção ao calcanhar direito –, Maria Raquel recordou aquelas cinco horas dramáticas.
“O João é muito calmo e reservado e nem quer comentar o que aconteceu. Mas contou-me que esteve sempre consciente e falou muito com os bombeiros. Só não tem é explicação para o que aconteceu, quando a farinha o empurrou para o fundo do silo”, disse a mulher, satisfeita com o resultado do raio X – “tem os pulmões limpos” e aliviada “por tudo ter terminado bem”.
Eram 20h30 quando João Alves se entregava a uma tarefa que desempenha há mais de uma dúzia de anos numa fábrica em Torres Vedras: abastecer o silo de ração para animais. A operação, desta vez, correu mal, o acidente de trabalho aconteceu, João Alves foi ‘engolido’ por 100 toneladas de farinha de mandioca e só foi libertado cinco horas depois.
O comandante dos bombeiros de Torres Vedras, Fernando Barão, disse no final do resgate, pelas 01h30, que se tratou de “uma operação muito delicada, porque o trabalhador caiu dentro do silo e ficou soterrado”. Após um esclarecimento sobre o modo de funcionamento do silo, os trabalhos de salvamento iniciaram-se às 22h00 tendo os bombeiros localizado o acidentado. E a primeira operação dos bombeiros foi abrir uma pequena porta, através da qual passaram a administrar oxigénio a João Alves.
Em seguida fizeram descer uma escada para ele ficar seguro, enquanto tinha início o corte do silo para, com a ajuda de máquinas, poder ser removida a farinha de mandioca pela base, até se tornar possível chegar à vítima e retirá-la nas melhores condições.
“Foi uma operação perigosa, não só para a vítima mas também para os quatro bombeiros que o estiveram a socorrer, pois, enquanto decorriam os trabalhos, podiam cair e ficar todos soterrados. Foi um trabalho arriscado que, felizmente, correu bem”, sublinhou Fernando Barão.
O director de produção da empresa de rações Acral, José António, disse que o silo tinha na altura 100 toneladas de farinha de mandioca (de uma capacidade total de 500 toneladas) e que este “foi o primeiro acidente com um funcionário a ficar soterrado”.
No local estiveram 12 viaturas, 46 bombeiros, duas máquinas do serviço municipal de protecção civil e uma equipa de médicos do Instituto Nacional de Emergência Médica.
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