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Correio da Manhã

Portugal
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Clientes de Ferrari perseguem máfia a tiro

C.F., que pai e filho tentaram assassinar, era segurança de ambos quando um empresário, a quem venderam um carro roubado, os quis matar.
Henrique Machado e Sérgio A. Vitorino 10 de Outubro de 2014 às 12:45
Caçadeira de canos serrados que ia ser usada e munições apanhadas
Caçadeira de canos serrados que ia ser usada e munições apanhadas FOTO: Pedro Catarino

Sequestrado com amarras e executado a tiros de caçadeira. O corpo esquartejado e desmembrado a golpes de catana. Enterrado, em zona de mato, com pás e picareta compradas para o efeito. Era este o fim que Paulo Silva teria guardado para C.F., caso não tivesse sido travado em flagrante pela PSP, terça-feira de madrugada, com seis cúmplices junto à casa da vítima, nos Olivais, Lisboa.


Mas nem sempre C.F., a vítima de 39 anos, foi um inimigo de Paulo, 45 anos, e do filho Kevin, de 23, que já em janeiro o tinham tentado matar com três tiros. E, nessa altura, Kevin foi preso pela Judiciária por homicídio tentado, o que originou a ação do pai na última terça-feira: queria eliminar de vez a vítima, horas antes de ir a tribunal testemunhar.


Antes do conflito, C.F. – agora considerado traidor por ter tentado roubar o negócio de tráfico de carros de luxo roubados a pai e filho –, era o protetor de Paulo e Kevin, como segurança contratado para os acompanhar. E isto porque uns empresários descobriram que tinham comprado aos dois familiares um Ferrari roubado, pensando tratar-se de um carro importado.


Kevin foi inclusive perseguido a tiro – as vítimas sentiram-se burladas ao pagar uma fortuna pelo carro roubado, com os documentos falsificados – e pai e filho tiveram de fechar, na Margem Sul do Tejo, o negócio de compra e venda de carros usados (ver peça secundária). C.F. protegia-os,  mas terá tentado roubar-lhes parte do negócio, por isso quiseram matá-lo a tiro em janeiro passado.


Agora, com o filho Kevin preso, Paulo Silva só não matou C.F. – eliminando a testemunha do primeiro crime – porque foi surpreendido com os cúmplices pelos agentes da Divisão de Investigação Criminal da PSP.


Levavam luvas, armas e as pás para executarem o crime. Depois de detidos – cinco estão em prisão preventiva –, a PSP foi desmantelar, em buscas, o negócio de tráfico e viciação de carros de luxo. Ao contrário dos Ferrari, roubados no estrangeiro, agora os agentes foram encontrar sete viaturas – entre elas Mercedes e BMW, no valor total de 187 mil € –, além de matrículas falsas com que ‘legalizavam’ os carros, estes roubados em território nacional. O objetivo passaria sempre por vender os automóveis a bom preço, embora elevado, como se fossem importados.

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