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Correio da Manhã

Portugal
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COCAÍNA ESTAVA A CHEGAR

As polícias espanhola e portuguesa, na operação ‘Trânsito’, desbarataram uma importante rede de tráfico de droga entre a América do Sul e a Península Ibérica. Os traficantes preparavam-se para descarregar em Portugal 520 quilos de cocaína, que traziam num veleiro abordado domingo pelos espanhóis.
24 de Junho de 2004 às 00:00
Dois dos seus elementos, precisamente o líder – um argentino de 44 anos, de alcunha ‘El Loco’ – e o seu braço-direito e especialista em telecomunicações, foram mesmo detidos pela PJ no Porto, onde estavam a montar a estrutura que iria supervisionar o descarregamento de droga.
Ao que o CM apurou, visitaram a Costa Alentejana e a zona da Figueira da Foz para escolher um local para o descarregamento mas ainda não se tinham decidido.
Maioritariamente composta por uruguaios e argentinos com identidades falsas, a rede estava sob investigação desde meados de 2003 e é tida com “bem estruturada e hierarquizada”. Usavam mesmo um calão específico dos delinquentes daqueles países para comunicarem entre si, o que dificultou a investigação. No final de 2003 a rede perdeu mesmo alguns navios e carregamentos de cocaína para a PJ.
A investigação apurou que estaria a caminho de Portugal mais um carregamento. As autoridades de ambos os países deciciram avançar e no domingo os espanhóis abordaram o ‘Revoleo’ – de nove metros e pavilhão espanhol – vindo a descobrir no seu interior 520 quilos de cocaína. Os dois ocupantes, um francês e outro uruguaio, foram presos.
Nesse dia foram presos pela PJ no Porto o líder da rede e o seu braço-direito. Este último, bastante jovem, era barra em informática e manipulava equipamento que lhe permitia controlar o tráfego marítimo e as comunicações da rede a partir de qualquer local. Os restantes oito traficantes foram presos em Madrid e Barcelona.
DUAS CARGAS ÀS MÃOS DA PJ
A rede agora desfeita por Portugal e Espanha já havia perdido três embarcações e dois carregamentos de cocaína para a Direcção Central de Investigação de Tráfico de Estupefacientes da PJ.
A primeira perda foi em Novembro de 2003, quando abandonaram um catamarã no Guincho, Cascais. A PJ percebeu que a embarcação havia sido usada para tráfico e passou a andar de olho nos veleiros em viagem entre a América do Sul e a Península Ibérica.
A segunda ocorreu a 6 de Dezembro nas Flores, Açores, quando foi apreendido o veleiro ‘Stef’ e a sua carga de 812,5 quilos de cocaína.
O terceiro capítulo deu-se a 8 de Janeiro, com a apreensão na Marina de Cascais de 820 quilos de cocaína que vinham no ‘Orensano’.
A rede dedicava-se ainda à falsificação de documentos, tendo a polícia espanhola apanhado diversos passaportes, cartas de condução e cartões bancários, entre eles portugueses, falsos ou roubados. Em Madrid tinham mesmo um atelier onde falsificavam os seus próprios documentos com grande qualidade.
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