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Correio da Manhã

Portugal
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COMANDANTE DE VOLTA

Os Bombeiros Voluntários de Lamego receberam ontem o comandante da corporação, João Nuno Carvalho - suspenso 45 dias devido ao 'caso do helicóptero' -, com "muita alegria", aplausos e boa disposição.
14 de Novembro de 2003 às 00:00
 O comandante Nuno Carvalho regressou ontem ao quartel dos bombeiros de Lamego
O comandante Nuno Carvalho regressou ontem ao quartel dos bombeiros de Lamego FOTO: Luis Oliveira
João Nuno Carvalho chegou ao edifício dos bombeiros lamecenses às 08h15, vestido a rigor e com um sorriso estampado no rosto. À sua espera estavam elementos do corpo activo, que o abraçaram e bateram palmas.
"A alegria voltou a este quartel", disseram os bombeiros, acrescentando que a corporação "deixou de estar órfã de comandante". João Nuno Carvalho, alvo de um processo disciplinar que ainda decorre e motivou a sua suspensão, é mais comedido.
O comandante afirmou que sentiu a falta da "farda", do "ambiente" do quartel e dos seus homens, de quem tem "muito orgulho".
"Regresso ainda com mais vontade em trabalhar e ajudar a população de Lamego", afirmou João Nuno Carvalho, adiantando que vai aguardar "serenamente", e de "consciência tranquila", as conclusões do processo disciplinar que lhe foi instaurado.
Quanto ao caso que despoletou a polémica - o alegado uso de um helicóptero de combate a fogos florestais para viagens turísticas - e a sua suspensão, recusou-se a fazer qualquer "tipo de comentário".
"A partir de agora o quartel voltou à normalidade. O corpo activo voltou a ter cabeça e chefe", disse o bombeiro Alfredo Lourenço, acrescentando: "O comandante voltou e daqui não sai mais, caso contrário demitimo-nos todos e Lamego fica sem bombeiros".
Esta opinião é partilhada por outros bombeiros voluntários da corporação que, caso o processo em curso determine a expulsão de João Nuno Carvalho ponderam demitir-se:
"Se ele sair nós vamos atrás dele. Mas penso que isto vai acabar bem", concluiu Mário Rui, bombeiro lamecense.
VIAGENS TURÍSTICAS EM LAMEGO
A instabilidade e os problemas dos Bombeiros Voluntários de Lamego surgiram no dia 26 de Setembro, quando o País ficou a saber que o helicóptero afecto à corporação para o combate aos incêndios florestais serviria, também, para viagens turísticas.
Depois de um Verão trágico, onde os incêndios destruíram mais de 400 mil hectares de floresta e provocaram a morte de 20 pessoas, este caso causou enorme indignação no País e aumentou a suspeita sobre o sistema de combate aos incêndios. Perante a situação, o ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, não perdeu tempo: suspendeu o comandante João Nuno Carvalho e demitiu o então coordenador do SNBPC de Viseu, Bento Duarte. Este caso também contribuiu para a demissão de Leal Martins, na altura presidente do SNBPC.
Protestando contra a suspensão do comandante da corporação e exigindo a demissão da direcção da associação, o corpo activo dos bombeiros de Lamego esteve, durante um mês, indisponível para o serviço, atitude condenada pela Liga de Bombeiros e pelo ministro da tutela.
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