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Correio da Manhã

Portugal
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COMANDANTE DO PRESTIGE CULPA ESPANHÓIS

O comandante do petroleiro afundado “Prestige”, declarou, em interrogatório feito por uma juíza de instrução, que era possível fundear o navio avariado a quatro milhas da costa galega e proceder à trasfega do fuelóleo a bordo. Apostolos Mangouras revelou que as autoridades espanholas não aceitaram a solução e optaram por forçar um navio em más condições a navegar no mar alto durante quatro dias, o que acabou por lhe ser fatal.
28 de Dezembro de 2002 às 14:05
No interrogatório feito ao longo de 12 horas pela juíza Beatriz Pacios, no Tribunal de Instrução Criminal de Corcubión, Apostolos Mangouras admitiu que o “Prestige” andou à deriva até bem perto da costa galega, a quatro ou cinco milhas de Muxia, mas garantiu que era possível ancorar o navio e tentar a trasfega perto da costa, ou rebocar o navio, lentamente, até porto seguro. Mas as autoridades espanholas, de acordo com o comandante do “Prestige”, estavam apenas preocupadas em afastar o navio da costa e nunca aceitaram o fundeamento perto da costa, segundo revela o jornal “La Voz de Galicia”.

O “Prestige” acabou por ser rebocado para o largo, iniciando uma viagem de quatro dias rumo ao Sul, findos os quais se partiu em dois e afundou-se, a 240 quilómetros da costa galega, repousando no fundo do Atlântico, a 3,5 quilómetros de profundidade, onde continua a largar pelo menos 150 toneladas de fuelóelo para a água, por dia.

Recorde-se que no rescaldo do naufrágio foi tentada uma campanha de opinião para colocar a culpa do naufrágio na acção de uma fragata portuguesa, que barrou o caminho ao “Prestige”, obrigando-o a ‘curvar’. Segundo essa versão, teria sido a manobra brusca a razão pela qual o navio se partiu em dois. De acordo com o seu comandante, o navio não devberia sequer ter sido obrigado a navegar em mar alto.
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