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Correio da Manhã

Portugal
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Comando mal aceite

O processo de nomeação dos novos comandantes distritais da PSP, que deverá estar concluído dentro de duas semanas, está a ser mal acolhido por muitos oficiais. Os novos comandantes queixam-se de “falta de lógica” nas escolhas e de tudo ter sido decidido em “completo segredo” – rompendo com a tradição na Polícia. A Direcção Nacional (DN) garante que a situação é normal e que está de acordo com a Lei Orgânica.
20 de Março de 2006 às 00:00
Novos comandantes distritais da PSP tomam posse dentro de dias, mas nem todos estão satisfeitos
Novos comandantes distritais da PSP tomam posse dentro de dias, mas nem todos estão satisfeitos FOTO: Sérgio Lemos
Tal como o CM noticiou ontem, são vários os comandos da PSP com novos responsáveis: Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Guarda, Vila Real, Viseu e Cascais, entre outros, e alguns chefes de departamento na Direcção Nacional vão também ser substituídos. No centro de todas as movimentações estão os 31 novos intendentes, que, em Janeiro, após um curso de vários meses, foram promovidos ao topo da hierarquia.
“Até agora, quando havia necessidade de ocupar posições, à classificação no curso de promoção equivalia uma preferência na escolha. Era algo que todos aceitavam”, disse ao CM um oficial, sob anonimato. “Agora as pessoas foram simplesmente informadas da decisão.”
Os novos postos foram comunicados pessoalmente pelo director nacional, Orlando Romano, aos novos comandantes, na semana passada. E as reacções foram as mais diversas. “Não se compreende que critério foi aplicado para as escolhas”, alega um outro oficial. “Para um lugar de topo deve ser indicado alguém motivado e disposto a sacrificar-se. O que se passa agora é muito diferente e há muita gente contrariada, que talvez se vá limitar a fazer o que é de lei.”
Contactada pelo CM, uma fonte oficial da Direcção Nacional da PSP afirmou que a nomeação dos novos comandantes “é um movimento normal de oficiais da PSP, que ascenderam à categoria de intendentes, e que vão ocupar lugares de comando de acordo com a Lei Orgânica da Polícia”.
SEM RECUSAS, NEM VONTADE
Apesar da surpresa e do mal-estar com que muitos oficiais receberam a notícia, a verdade é que, segundo apurou o CM, nenhum terá recusado o cargo – algo que seria possível, uma vez que se trata de uma nomeação por escolha do director nacional e que pressupõe a aceitação do escolhido. No entanto, alguns dos novos comandantes distritais vão assumir funções com pouco entusiasmo.
“Poderemos ver casos de pessoas que se limitam a actuar de acordo com a lei. Sem o voluntarismo nem o espírito de sacrifício que teriam se tudo fosse feito de outra forma. Mas a segurança não está em causa, de forma alguma”, referiu um oficial.
CASOS
DESCONHECIA
Pelo menos numa situação um oficial da PSP terá sabido por terceiros, estranhos à instituição, que iria cessar as funções que até então desempenhava. Um caso que caiu mal no topo da hierarquia da Polícia.
VENCIMENTO
De acordo com fontes contactadas pelo CM, um oficial da PSP, com o posto de intendente, que esteja à frente de um comando de Polícia ganha menos do que um comissário colocado na Direcção Nacional.
'SEM LÓGICA'
“Se uma pessoa tem preferência por determinado comando, que outra prefere não assumir, por que não se respeita isso?”, pergunta um oficial.
DIRECTOR ESCOLHE
As escolhas são decididas pelo director nacional, que sujeita à aprovação do Governo.
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