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Correio da Manhã

Portugal
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Comandos prontos para a missão mais difícil

Vão enfrentar temperaturas negativas e um movimento de guerrilha que em 2007 aumentou as suas acções em 30%. Mesmo assim foi com “moral elevado” que os 41 militares que constituem o primeiro grupo da 1.ª Companhia de Comandos partiram ontem de manhã para Cabul, no Afeganistão.
12 de Fevereiro de 2008 às 00:30
Conscientes de que “o Afeganistão é o teatro de operações mais difícil” em que Portugal participa actualmente, os 39 Comandos e dois oficiais da Força Aérea mostraram-se satisfeitos por iniciar aquela que será a última missão de um contingente de reacção rápida português ao serviço da Força Internacional de Assistência e Segurança (ISAF).
“As condições de segurança no país não são muito diferentes de quando estivemos lá há dois anos”, admitiu ao CM o sargento Guedes, momentos antes de embarcar no C130 da Força Aérea que aguardava na placa de Figo Maduro. No regresso ao Afeganistão o militar espera encontrar, no entanto, “melhores infra-estruturas para a população afegã”.
Ao seu lado, o sargento Correia, que pela primeira vez viaja até Cabul, antevê “uma região complicada” mas espera “poder contribuir para a instauração da paz no país”.
Na sala de embarque, mulheres, namoradas, pais e filhos despedem-se emocionados. “Tem cuidado” ou “vê lá se desta vez ligas” são os conselhos de última hora.
Para o final deste mês está prevista a partida do segundo e último grupo de militares, numa aeronave civil fretada para o efeito. Este contingente permanecerá durante os próximos seis meses em território do Afeganistão, com um total de 150 militares do Exército e sete da Força Aérea. Portugal assegura ainda a presença de cinco militares no Estado-Maior do quartel-general da ISAF, na Holanda. Também em Fevereiro regressa a 22.ª Companhia de Pára-Quedistas.
DISCURSO DIRECTO
"HÁ SEMPRE RISCOS" Tenente-coronel Carlos Bartolomeu, comandante da 1.ª Companhia de Comandos
Correio da Manhã – Qual o objectivo principal desta missão?
Carlos Bartolomeu – A 1.ª Companhia de Comandos é um grupo avançado que vai integrar a Força de Reacção Rápida da Força Internacional de Assistência e Segurança no Afeganistão (IS-AF). Estaremos ao dispor do comando dessa força para responder a qualquer eventualidade. Ao mesmo tempo vamos estar a preparar a retracção da força disponível, que daqui a seis meses passa a contar com apenas 15 homens.
– O que o preocupa mais no Afeganistão: o frio ou a segurança?
– O frio não é preocupante. A maior parte dos homens já lá esteve e sabe com o que pode contar nesse aspecto. Tivemos o cuidado de realizar o aprontamento final na serra da Estrela, em condições comparáveis .
– Quer dizer que a segurança é mais preocupante?
– Há sempre riscos quando se está em território hostil, mas julgo que não haverá problemas.
– Houve algum treino específico para prevenir situações de risco?
– O aprontamento dos Comandos já prevê essas situações, mas há sempre questões técnicas que são aprimoradas tendo em conta o cenário da missão.
APONTAMENTOS
TRÊS DIAS DE VIAGEM
A 1.ª Companhia de Comandos vai demorar três dias a chegar a Cabul. São três escalas de uma noite porque o C130 “não é um jacto” e precisa de reabastecer a cada 3800 km.
ACIDENTE EM 2007
A missão da Companhia de Pára-quedistas, agora substituída pelos Comandos, ficou marcada pela morte de um militar num acidente com uma viatura ocorrido em Novembro de 2007.
AFEGÃO BALEADO
Um afegão morreu no domingo à tarde atingido por uma bala disparada por um soldado espanhol. O indivíduo estava numa carrinha que se aproximou de um comboio militar composto por espanhóis e italianos que dispararam tiros de aviso, tendo uma das balas ressaltado no chão.
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