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Correio da Manhã

Portugal
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Combate emperrado

A falta de protocolos de intervenção mútua automática nas zonas transfronteiriças entre Portugal e Espanha – bem como de integração dos sistemas de Protecção Civil de ambos os países – e a falta de sistemas de comunicação compatíveis são os principais obstáculos a uma maior cooperação no combate a catástrofes que afectam ao mesmo tempo os territórios de cada lado da fronteira.
19 de Março de 2007 às 00:00
A cooperação entre os bombeiros portugueses e espanhóis deve ser melhorada, dizem os especialistas
A cooperação entre os bombeiros portugueses e espanhóis deve ser melhorada, dizem os especialistas FOTO: Paulo Cunha, Lusa
Os alertas foram lançados no seminário ‘Protecção Civil – Segurança e Cooperação Transfronteiriças Portugal/Espanha’ realizado por iniciativa da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, no âmbito da Segurex 2007, na FIL, Lisboa.
“A detecção deste tipo de problemas decorreu de um acidente com um camião carregado de querosene, que caiu da ponte do Guadiana, entre Ayamonte e Vila Real de Santo António, no Verão do ano passado”, frisou José António Ramirez, director do Consórcio Provincial Contra Incêndios e Salvamentos de Huelva.
“Quem deve coordenar a cooperação transfronteiriça é a da Protecção Civil e não apenas os bombeiros, apenas uma peça do sistema”, acrescentou o mesmo responsável.
No entanto, Portugal e Espanha desde 1992 que colaboram no socorro transfronteiriço, nomeadamente nos incêndios florestais. No caso da Andaluzia, existem acordos com os bombeiros de Vila Real de Santo António, de Barrancos e de Mértola, decorrendo negociações com outras associações.
Além disso, o Consórcio Provincial de Huelva tem formado bombeiros portugueses, nomeadamente de Vila Real de Santo António, de Cascais, Barcarena e Madeira.
“A nossa maior preocupação é a das comunicações de rádio e sentimos a necessidade da existência de um canal de terra comum aos meios portugueses e espanhóis”, apontou Alexandro Añarte, do Centro de Plan Infoca – os sapadores florestais andaluzes helitransportados.
O mesmo responsável espanhol acrescenta: “Na minha experiência com Portugal, noto que a coordenação no terreno tem ficado aquém do desejado, sobretudo porque não nos conhecemos. Vou a Portugal num combate a incêndios florestais e não sei quem manda.”
“Um grande progresso na cooperação foi, no ano passado, o compromisso de ampliação para 15 quilómetros de cada lado da fronteira da área de intervenção automática”, salientou António Fonseca, comandante distrital das operações de socorro da Guarda, do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.
António Fonseca mostrou-se mesmo favorável à criação de uma euro-região entre a Beira Interior Norte e a província de Salamanca, com as vantagens que tal traria para o socorro.
BARRANCOS ACTUA EM ENCINASOLA
Os Bombeiros, o Município de Barrancos e o Consórcio Provincial Contra Incêndios e Salvamentos de Huelva, entidade que agrupa e coordena os bombeiros desta província andaluza que faz fronteira com o nosso país, preparam um protocolo especial que permite aos soldados da paz barranquenhos cobrir em operações de socorro a vizinha aldeia espanhola de Encinasola.
“Barrancos está apenas a sete quilómetros de Encinasola, enquanto que o parque de bombeiros mais perto, do lado espanhol é o de Jabugo, a uma hora de distância dada a sinuosidade e mau estado das estradas”, disse José António Ramirez.
O protocolo prevê a entrega aos voluntários de Barrancos, por parte dos seus congéneres espanhóis, de 15 equipamentos individuais de protecção, um veículo de pronto-socorro médico e equipamento de comunicações, além de acções de formação e treino.
PORMENORES
RISCOS
O sul de Portugal e da Andaluzia partilham três tipos de riscos: estão na mesma zona sísmica, têm uma área comum de inundações do Guadiana e têm um eixo rodoviário contíguo de risco químico, com a circulação de mercadorias perigosas.
COOPERAÇÃO
A cooperação entre os bombeiros de Vila Real de Santo António e de Ayamonte é antiga e centra-se no combate a incêndios em edifícios, busca de pessoas na bacia do Guadiana, socorro a acidentes rodoviários e acidentes com mercadorias perigosas. Mas a cooperação baseia-se nas relações pessoais e não na existência de um protocolo de auxílio mútuo em acidentes não catastróficos.
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