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Correio da Manhã

Portugal
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COMBATENTES DA I GUERRA HOMENAGEADOS

Maria Antónia Ramos Pereira vai todos os anos, no dia 11 de Novembro, de manhã, ao Monumento dos Combatentes, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, prestar homenagem ao seu pai.
11 de Novembro de 2002 às 00:05
Luís Pereira foi um dos portugueses que combateu na Grande Guerra e ontem foi homenageado pela filha e por muitos outros numa cerimónia, presidida pelo ministro da Defesa, Paulo Portas, que junto áquele monumento lembrou os 84 anos sobre os armistício e todos os que participaram no conflito mundial.

“O meu pai chegou a ser preso pelos alemães e a família pensou que ele tivesse morrido, pois durante três meses não houve qualquer notícia”. Mas, “felizmente”, conta a filha, “estava vivo e em 1919, no Natal, casou-se”. Foi também no Natal que há 20 anos atrás ficou doente e faleceu. “O meu pai deixou muitas histórias escritas sobre a guerra”, diz Maria Antónia.

Histórias que ainda hoje Joaquim Sequeira, de 58 anos, pode ouvir do seu colega, José Maria Baptista, um dos sobreviventes da Grande Guerra que pertence ao núcleo de ex-combatentes de Sintra. “Ele não está aqui porque tem 107 anos, feitos a 1 de Maio, mas conta histórias como se fosse hoje. A guerra nunca se esquece”, confessa Joaquim Sequeira. E sente porquê. Afinal também ele esteve a combater pela pátria durante 23 meses na Guiné. “Estive de 1965 a 1967 na Guiné e nunca me vou esquecer. Está tudo gravado na minha memória”, garante.

Por isso, dias como os de ontem, em que os ex-combatentes são recordados têm um valor especial: “É importante porque a pátria que esquece os seus mortos não é pátria”.

O mesmo pensa o sargento fuzileiro Francisco Sobral, de 61 anos, que, nasceu no Alentejo e esteve em Angola, Moçambique e na Índia, onde foi prisioneiro de guerra. Para este ex-combatente, “é de lamentar que os portugueses não se lembrem destas homenagens”. No final da cerimónia, Paulo Portas aproveitou para recordar que quando chegou ao “Governo havia quatro pessoas a trabalhar no departamento dos antigos combatentes e hoje estão mais de 60”. “Adquirimos equipamento digital para que no tempo certo seja possível fazer justiça aos antigos combatentes”, disse.
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