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Correio da Manhã

Portugal

COMERCIANTES PROTESTAM CONTRA OBRAS DA EDP

Os comerciantes e moradores da Meadela, em Viana do Castelo, estão revoltados com a EDP e acusam a empresa de “desrespeitar a freguesia”, por causa de obras que ali decorrem há cerca de dois meses e que parecem não ter fim à vista.
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
De acordo com os populares, os funcionários da EDP abriram valas em praticamente todas as ruas, que estão agora ‘inundadas’ de lama, e amontoaram os paralelos nos passeios, impedindo os moradores de ter acesso às suas casas e prejudicando gravemente os negócios, naquela que é uma das zonas mais comerciais da cidade.
Lojistas e moradores não põem em causa a necessidade da intervenção, mas questionam o procedimento da empresa, argumentando que embora “a freguesia esteja virada do avesso, há muito tempo que não se vê ninguém a trabalhar na obra”.
Luís Fernandes, proprietário de um restaurante-churrasqueira, na Meadela, revelou ao Correio da Manhã que desde que as obras começaram, o número de clientes tem vindo a reduzir substancialmente.
“As pessoas começaram a evitar esta zona, porque, por um lado, não podem estacionar os carros por causa da lama e dos buracos e por outro, nem sequer podem circular pelos passeios, porque estão atolados dos paralelos que eles tiraram da rua”, criticou o comerciante.
A opinião é corroborada por Anabela Mesquita, proprietária da ’Papelaria Meadela’ que critica sobretudo o facto de os funcionários da EDP “fazerem o trabalho às pinguinhas, abrindo buracos num dia e fechando no outro, sem garantir quaisquer condições de segurança”.
“Ainda anteontem uma senhora riscou o carro nuns ferros que eles deixaram espalhados, sem qualquer cuidado e foi preciso um carro cair num buraco para o irem tapar”, revelou.
O CM tentou ontem ouvir os responsáveis do Centro de Distribuição da EDP, em Viana do Castelo, mas estiveram incontactáveis.
DADOS
QUEDAS
Desde o início das obras, moradores e lojistas vivem com o receio de cair num dos inúmeros buracos abertos na estrada. Há dias atrás um homem torceu um tornozelo ao cair numa das ‘armadilhas’ e uma criança de três anos fez algumas escoriações num monte de paralelos.
PROTESTO
Alguns moradores da Meadela fizeram chegar o seu protesto por escrito à EDP, mas para já ainda não obtiveram qualquer resposta. Habitantes e lojistas dizem-se impossibilitados de entrar nas suas casas e estabelecimentos comerciais e de colocar os veículos nas garagens.
RECEITAS
Os comerciantes contactados pelo CM garantem que viram os lucros das vendas deste Natal reduzidos em pelo menos 30%, mas alguns chegam a falar em quebras na ordem dos 50%. Acrescentam ainda que “as obras só contribuíram para o problema da crise económica”.
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