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Correio da Manhã

Portugal
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“Como é que vou viver sem o meu filho?”

Familiares e amigos destroçados pela dor, nos funerais das vítimas do acidente em Burgos.
22 de Agosto de 2010 às 00:30
O casal João e Cátia foi enterrado na mesma sepultura, no cemitério de Gafanha da Encarnação
O casal João e Cátia foi enterrado na mesma sepultura, no cemitério de Gafanha da Encarnação FOTO: Diogo Pinto

"Como é que eu vou viver sem o meu Fábio", gritava Carla Pinto, mãe do menino de 14 anos que foi enterrado ontem no cemitério da Gafanha da Nazaré, em Aveiro. Pouco antes, na freguesia vizinha da Gafanha da Encarnação, António Pereira não se conformava com a trágica morte da filha Cátia. A jovem ficou na mesma sepultura do marido, João Carlos, e ao lado da sogra, Almerinda Pata.

"Quero morrer para ficar com a minha filha", dizia António, em lágrimas, junto à campa de Cátia. "Deixem-me ficar aqui", pediu, inconsolável, o pai da jovem que perdeu a vida numa estrada de Burgos, em Espanha.

O único sobrevivente, Carlos Pata, assistiu aos funerais da família ainda com as marcas visíveis dos ferimentos. Visivelmente exausto – só teve alta anteontem –, Carlos não parou de chorar. "Já chega. Não abram mais os caixões. Quero que fiquem com uma boa memória deles", pediu o homem, já a cambalear, no cemitério da Gafanha da Encarnação. Amparado pela irmã, Carlos foi depois ao funeral do neto Fábio, que ocorreu uma hora depois na Gafanha da Nazaré. O corpo de Fábio foi transportado até à sepultura pelos colegas escuteiros e amigos da escola. Diogo, de 15 anos, e César, de 11, irmãos de Fábio, choravam agarrados aos pais, Carla e Paulo. "Anda para casa Fábio", dizia a avó materna em pranto.

"Era um amigo espectacular, sempre alegre", recordou um colega de escola, a chorar. O último adeus a Fábio ficou também marcado pelo sofrimento de família e amigos.

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