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Correio da Manhã

Portugal
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COMO SE AMASSA O PÃO

A marcha da Ajuda escolheu para tema, a apresentar no pavilhão do Belenenses, no Restelo, e na Avenida da Liberdade, no concurso deste ano das Marchas Populares de Lisboa, uma das realidades mais marcantes do bairro até finais da primeira metade do século passado, quando a colina ocidental de Lisboa era dominada pela presença de meia dúzia de moinhos e da actividade desenvolvida à sua volta.
25 de Maio de 2003 às 00:00
"Antigamente o que existia aqui nesta zona da cidade eram enormes campos de trigo e seis ou sete moinhos, dois dos quais só pararam de laborar na década de 60, por isso achei interessante recordar essa vivência e este ano a Ajuda vai marchar com moleiros e moleiras", contou o ensaiador Alberto Castro.
As letras das marchas "são todas muito bonitas" para o ensaiador, por isso aqui deixamos uma quadra à apreciação do leitor: "Moleira vais ser meu par/ Não me digas que não/ Sou moleiro e quero morar/ No teu coração".
Os fatos têm a sarja como base. Os adereços utilizados são as peneiras, foices e, naturalmente, os sacos de farinha.
"A engalanar os arcos lá estarão imagens da Torre do Galo, a Igreja da Memória, o palácio, a ermida e, como não podia deixar de ser, moinhos e mós", assegurou Alberto Castro.
Em 2002, a Ajuda conseguiu o 14.º lugar, e este ano o objectivo é fugir à "despromoção", ou seja, aos dois últimos lugares da classificação.
A marchante Conceição Ferreira sintetiza toda a ambição do grupo: "Nós vamos é pensar na vitória”.
Trajados de castanho, branco, amarelo e preto, os 48 marchantes da Ajuda exibem-se no Pavilhão do Restelo, dia 7 de Junho.
'SE DEUS ME DER SAÚDE QUERO CONTINUAR'
Apesar de estar na flor da idade e contar apenas 45 anos, Conceição Ferreira é a marchante mais velha da marcha da Ajuda. Ao nosso jornal explicou o porquê de ter chegado tarde às marchas, mas gostar tanto da tradição: "Comecei apenas há oito anos e se Deus me der saúde quero continuar, pelo menos, por mais oito. Depois logo se vê, mas penso que se um dia não puder continuar como marchante ficarei ligada à organização. Pode ser como ensaiadora ou numa outra função qualquer, o que interessa é servir a Ajuda. Quero é continuar a viver por dentro o ambiente maravilhoso que todos os anos existe e participar na magia das marchas.
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