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Correio da Manhã

Portugal
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Como vencer a menopausa

Primeiro vieram os afrontamentos, sensação incómoda de calor súbito, acompanhada por ondas de suor. Depois, a irritabilidade, as mudanças de humor e, acima de tudo, a perda de auto-estima. Sintomas que, aos 42 anos, Fernanda Abrantes teve dificuldade em entender.
12 de Junho de 2005 às 00:00
No entanto, eram apenas prenúncio da chegada de uma nova fase da vida, a menopausa, que, no seu caso, se fez sentir um pouco mais cedo que o habitual, mas que todas as mulheres têm de enfrentar.
“Senti-me quase um lixo. Cheguei a um grau de saturação em que não podia ver ninguém. Qualquer pequeno problema transformava-se numa catástrofe, a paciência desapareceu e pensei que estava com um esgotamento. Nunca imaginei que uma descompensação hormonal pudesse transformar desta forma a minha vida”, explica Fernanda Abrantes.
Hoje, quase sete anos depois dos primeiros sintomas, diz ter conseguido voltar a ser a pessoa que era antes graças à terapêutica hormonal de substituição. Apesar dos receios iniciais, definiu prioridades e decidiu que ter qualidade de vida era o mais importante. “Estou vigiada, faço os exames necessários e voltei a controlar a minha vida. Pelo menos enquanto viver, quero estar bem.”
ALTERNATIVAS PARA AJUDAR
“A menopausa não é mais do que a peça de um puzzle que é o envelhecimento. Não é uma doença, mas uma fase em que o ovário deixa de produzir hormonas”, explica Céu Santo, especialista em Ginecologia e Obstetrícia. Nesta fase, 60 por cento das mulheres sofrem com afrontamentos, que demoram quatro anos a desaparecer. Sofrem ainda insónias, diminuição da libido e da auto-estima. “A cintura alarga entre 1,5 a dois centímetros, o cabelo torna-se rarefeito, há diminuição na altura, suor, um pouco de incontinência. Ou seja, a qualidade de vida é horrível e as mulheres vivem um terço da sua vida na pós-menopausa.”
Um pesadelo, sobretudo para as mulheres que ainda enfrentam esta fase sem ajuda e para aquelas que não levam os tratamentos até ao fim – dizem as estatísticas que apenas 15 por cento o faz um ano após o seu começo. Para elas, a menopausa continua a ser um drama. E é para elas que os especialistas falam em alternativas terapêuticas, um dos temas em debate no X Congresso Nacional de Ginecologia, que hoje chega ao fim.
“Para além de uma postura positiva perante a vida, é importante que as mulheres saibam que há tratamentos que ajudam a reduzir os sintomas e prevenir problemas”, refere Céu Santo. Um deles é a terapêutica hormonal de substituição. “Há ainda muita gente que teme estas terapias, mas elas já deram provas de segurança. Quando existe uma vigilância correcta e acompanhamento, não há o que temer”, afirma Fernanda Águas, ginecologista e directora clínica da Maternidade Bissaya-Barreto.
Outras alternativa são os tratamentos à base de suplementos alimentares, com componentes da soja idênticos aos estrogénios – a hormona que deixa de ser produzida. “Seja uma ou outra terapia, podem ser associadas a revoluções positivas, transformando a antevisão do deserto em oásis”.
PROBLEMAS NO FEMININO
MENOPAUSA
Estima-se que 700 mil mulheres portuguesas irão enfrentar a menopausa durante este ano. Números que, a juntar às que já vivem nesta fase da vida, perfaz um total de 20 por cento em Portugal. E porque, dizem também os números, vão viver um terço da sua vida em pós-menopausa, os especialistas aconselham as alternativas terapêuticas, que põem fim aos afrontamentos, insónias, suores frios e todos os outros sintomas.
CANCRO DA MAMA
Afecta uma em cada dez mulheres e foi responsável, em 2002, por 1,1 milhões de casos. Trata-se do cancro da mama, uma das doenças que mais afilge as mulheres. Em Portugal, de acordo com as estatísticas de 2002, fez 1 550 vítimas mortais. Mas muitas mais foram as que enfrentaram a doença e sobreviveram. É para tentar evitar que os números aumentem que a ciência procura encontrar novas formas de diagnóstico e terapia.
MIOMAS
São os principais responsáveis pela retirada do útero nas mulheres, tornando-as estéreis. Considerados um dos problemas ginecológicos com maior incidência – afectam 35 por cento de todas as mulheres – não há, por enquanto, forma de evitar que apareçam, uma vez que são ainda desconhecidas as suas causas. A investigação continua, tanto na busca da origem dos miomas, como de novas formas de tratamento.
CANCRO DO COLO
O cancro do colo do útero continua a aumentar em Portugal, apesar de ser tratável na quase totalidade dos casos, quando detectado precocemente. No entanto, os especialistas queixam-se da falta de um programa de rastreio. Por isso, alertam para a necessidade de idas regulares ao ginecologista, capaz de fazer o diagnóstico com facilidade a partir de um exame citológico, conhecido como papanicolau.
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