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Correio da Manhã

Portugal
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COMPTA RESPONSABILIZA MINISTÉRIO

O administrador da empresa de informática Compta que foi ouvido esta terça-feira na Comissão Parlamentar de Educação, responsabilizou o Ministério da Educação pelos atrasos na publicação das listas de colocação de professores. A ex-directora-geral da Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação garantiu que todos cumpriram, insinuando culpas políticas no falhanço do arranque do ano lectivo.
12 de Outubro de 2004 às 16:23
A Compta foi a empresa contratada pelo Ministério da Educação para elaborar as listas de colocações de professores com base em programas informáticos criados especificamente para o efeito. Afonso Rosa, um dos administradores da Compta, disse hoje aos deputados da Comissão de Educação que a empresa cumpriu os prazos e que o trabalho foi dificultado por constantes alterações ao processo emanadas do Ministério da Educação, tanto na tutela de David Justino como na da actual ministra, Maria do Carmo Seabra.
De acordo com o administrador, a Compta tinha as listas prontas no dia 26 de Setembro, mas os responsáveis ministeriais optaram por divulgar as listas elaboradas por um informático contratado para o efeito e que usou a base de dados da própria Compta. Afonso Rosa disse que essa opção teve por base razões políticas.
O responsável da Compta explicou, por exemplo, que foi comunicado inicialmente à empresa que seriam 70 mil professores a candidatarem-se pela Internet, quando acabaram por ser perto de 100 mil. Explicou ainda, por exemplo, que o concurso deveria ter tido início em Janeiro, mas só começou em Março devido a atrasos ministeriais. Disse ainda que, desde aí e até Setembro, a Compta foi confrontada pelo Ministério com sucessivos pedidos de alteração.
Afonso Rosa revelou também problemas de comunicação dentro do próprio Ministério da Educação, ao dizer que o engenheiro que fazia a ligação com a empresa, Fernando Correia, e uma outra engenheira do Ministério "quase não se falavam".
Joana Orvalho, a director de Recursos Humanos demitida pela ministra no rescaldo da polémica dos atraso, foi a seguinte a prestar depoimentos na Comissão de Educação. A ex-directora-geral, numa intervenção muito cuidada, garantiu que tanto os serviços informáticos do Ministério como a Compta cumpriraram com o que lhes foi pedido, pelo que deixou em aberto a quem devem ser apontadas responsabilidades.
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