Os atentados ao património mundial sucedem-se no concelho de Sintra. Para os ambientalistas da Olho Vivo é notório: “Desde as construções ilegais no Parque Nacional Sintra-Cascais até aos condomínios de luxo na Serra da Carregueira.”
O cenário actual do concelho de Sintra foi descrito por Filipe Pedrosa da Olho Vivo, na véspera da apresentação do Plano Estratégico para o concelho, que acontece às 11h00 de hoje, e que resulta de um estudo encomendado pelo presidente do município, Fernando Seara.
“Sintra salta à vista como um concelho que cresceu e continua a crescer sem planeamento”, caracteriza o ambientalista frisando que há cada vez mais habitação onde não há redes viárias nem infra-estruturas sociais.
“É uma região muito diferente e que não cabe na lógica de um só concelho”, defende Filipe Pedrosa. Cerca de 80 por cento da população é urbana e, muitos, vivem a crise do desemprego e a falta de condições de habitabilidade. Por outro lado, “nos meios rurais, os agricultores transformaram-se em construtores civis na sua própria terra.”
Visão que a própria autarquia não esconde. “O concelho sofre da enorme pressão urbana”, diz Paula Colaço, assessora de imprensa. Razões para se definir um plano estratégico, em dez anos, de forma a “atingir o concelho ideal, com desenvolvimento mas não a todo o custo”.
E se para a Olho Vivo este não passa de “mais um estudo”, já a Quercus mostra-se mais optimista. “O plano aponta direcções, mas deixa muitas coisas em aberto”, alerta o ambientalista, Carlos Moura.
A Quercus está convencida que o Plano Estratégico da responsabilidade da Universidade Nova de Lisboa e dirigido pelo professor Braga de Macedo vai ter em conta os principais aspectos ambientais. E traça: “Poluição e qualidade do ar, água e ruído, preservação de corredores ecológicos nas reservas naturais e a preocupação com o aproveitamento energético.”
E se na área ambiental estão de acordo, já na construção urbana o mesmo não acontece. “É preciso dotar o concelho de redes de transportes públicos”, diz Carlos Moura. Por isso, está contra o alargamento do IC19 ou a construção do IC16, que não evitam o uso de carros particulares.
A imagem traçada pelas organizações mostra a convicção de uma região que se tem feito com uma rede urbana deficitária e sem qualquer planeamento. Acresce a especulação imobiliária e os atentado ambientais que, a qualquer custo, promovem a venda de habitações.
A “primeira apresentação será dedicada ao diagnóstico da situação actual do concelho”, diz um comunicado da autarquia. Será feita a análise financeira da Câmara e socio-económica do concelho, bem como, as estratégias para uma intervenção de futuro na região.
'ESTOU NA EXPECTATIVA'
“Foi criada uma comissão política de acompanhamento à proposta, mas nunca funcionou”, disse ao CM Guadalupe Gonçalves, vereadora do Ambiente na autarquia de Sintra. A proposta feita pela vereadora, em reunião de Câmara, no dia 14 de Julho de 2004, obteve o apoio do presidente, Fernando Seara. Motivos para que, relativamente à proposta que hoje é apresentada, Guadalupe Gonçalves diga que tudo será uma surpresa. “Não tenho qualquer conhecimento do seu conteúdo, portanto, até estou na expectativa.” Durante a fase de estudo, a equipa multidisciplinar da Universidade Nova de Lisboa, apenas ouviu a representante do pelouro do Ambiente, durante hora e meia, para falar de questões internas da Câmara. Entretanto, este sector camarário elaborou a sua proposta de plano estratégico. Se irá colidir ou não com os resultados do trabalho encomendado pela gestão de Fernando Seara, só se saberá, em data a definir para apresentação final do plano.
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