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Correio da Manhã

Portugal
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CONCERTOS NAS IGREJAS SÓ SE AGRADAREM A DEUS

O cardeal patriarca de Lisboa condenou ontem a utilização das igrejas para concertos de música popular, argumentando que contrariam a legislação canónica e o espírito desejável nos templos católicos, mesmo os que pertencem ao Estado.
9 de Novembro de 2004 às 00:00
Para D. José Policarpo, que falava na abertura de mais uma assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em Fátima, a expressão artística nas igrejas depende da aprovação das autoridades eclesiásticas, caso a caso, e “deve ser, de preferência, de natureza religiosa”.
“Não podemos pactuar com a mentalidade tendente a considerar as igrejas apenas como espaços culturais, como se a sociedade e a cultura tivessem entrado numa fase de post-religioso”, sublinhou o cardeal patriarca. Quanto às excepções, contemplam “peças que na sua origem nasceram como expressão de fé e religiosidade ou que, pelo menos, não agridam ou dela se distanciem visivelmente”.
Apoiados nas regras da Santa Sé, os bispos portugueses querem o poder de decidir o que ocorre no interior dos templos, mesmo os que não pertencem à Igreja Católica. “No caso dos monumentos nacionais, o facto de serem propriedade do Estado não dá às respectivas instâncias nenhum direito de forçar ou alterar critérios eclesiais de utilização do espaço sagrado”, considera D. José Policarpo.
Embora não faça parte da agenda da Conferência Episcopal Portuguesa, que decorre em Fátima até quinta-feira, a questão mereceu uma referência na sessão de abertura devido à crescente solicitação de templos católicos para concertos.
O cardeal patriarca de Lisboa sublinha que a Igreja Católica “valoriza a arte como expressão da fé” e “está consciente que momentos de grande nível e qualidade artísticos podem ser anúncio de Deus e da sua beleza”, mas acrescenta que os templos estão historicamente ligados às comunidades crentes e à consequente utilização pastoral.
AGENDA DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL
CONCORDATA
A assembleia plenária vai servir para discutir os termos da nova Concordata, já promulgada pelo Presidente da República, e a necessidade urgente de criar legislação complementar para a sua aplicação sem sobressaltos.
ACÇÃO SOCIAL
A acção social e caritativa é outro dos assuntos na agenda dos bispos em Fátima. A Conferência entende que a originalidade das instituições de inspiração cristã deve ser levada em conta pelo Estado na hora de as avaliar e inspeccionar.
GESTÃO
Ainda no âmbito da Acção Social, D. José Policarpo considera que as instituições de solidariedade social devem caminhar para modelos de qualidade técnica e integrar meios modernos de gestão. Ao Estado compete apoiar e vigiar.
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