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Correio da Manhã

Portugal
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Condenado a 16 anos

O homem que baleou um soldado da GNR, quando este se preparava para executar uma busca domiciliária numa casa do Sobral de Monte Agraço, foi ontem condenado a 16 anos e seis meses de cadeia pelo colectivo de juízes presidido pelo juiz Rui Teixeira, no Tribunal de Torres Vedras.
13 de Dezembro de 2006 às 00:00
O Ministério Público acusou Manuel Cardoso, um padeiro de 60 anos, de três homicídios na forma tentada. Os factos remontam a Janeiro último, quando uma equipa do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Vila Franca de Xira, depois de deter o filho de Manuel Cardoso por furto, tentava executar uma busca domiciliária à sua casa.
Os militares tiveram de arrombar a porta, dada a resistência do proprietário. Manuel Cardoso abriu fogo e atingiu o soldado Ferreira, que ficou cego de um olho. Feriu ainda um outro militar, num braço, e depois barricou-se em casa.
Quando chegaram ao local reforços da GNR, Manuel Cardoso, segundo a acusação, ainda disparou contra um terceiro militar, mas não o atingiu.
Em Tribunal, Manuel Cardoso alegou ter disparado por pensar que “eram gatunos” que lhe tentavam assaltar a casa. Ontem o juiz Rui Teixeira considerou que o arguido “teve uma conduta desprezível neste processo” e que mentiu. Rui Teixeira disse ainda que Manuel Cardoso nunca lamentou o que fez e lembrou que ele já tinha antecedentes: cumprira pena pelo homicídio de um tio.
O arguido ainda vai ter de pagar uma indemnização de 77 810 euros ao soldado Ferreira.
SOLDADO AINDA ESTÁ DE BAIXA
O soldado João Ferreira foi condecorado no 95.º aniversário da GNR, em Maio, numa cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, presidida pelo Presidente da República Cavaco Silva. Quase um ano depois de ter sido atingido, o soldado continua a trabalhar na sua recuperação e a alimentar um único objectivo: regressar ao Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Vila Franca de Xira. Quando foi atingido, o soldado tinha uma filha de meses. Só passado um mês reconheceu a família.
PORMENORES
BARRICADO 28 HORAS
O soldado Ferreira, de 27 anos, foi atingido a tiro de caçadeira no dia 16 de Janeiro no lugar da Adega, no Sobral de Monte Agraço. O agressor barricou-se em casa e foram necessárias 28 horas de negociação para o convencer a sair.
CADASTRO
Manuel Cardoso ficou a aguardar julgamento em prisão preventiva e já tinha cadastro por homicídio. O juiz disse ontem que ele foi a Tribunal “mentir”, porque os militares estavam devidamente identificados.
FEITA JUSTIÇA
Depois da leitura da sentença, o soldado João Ferreira disse que esperava a pena máxima, mas que foi “feita justiça, dada a idade do arguido”. Manuel Cardoso, um padeiro de 60 anos, alegou sempre em tribunal que pensava tratarem-se de ladrões e que foi por isso que puxou da caçadeira.
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