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Correio da Manhã

Portugal
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Condenado a 17 anos por morte de polícia

O colectivo de juízes do Tribunal de Vila Real de Santo António condenou ontem o cidadão alemão Jens Jordan, de 53 anos de idade, ao cúmulo jurídico de 17 anos de prisão, por homicídio qualificado, com dolo eventual, por ter atropelado mortalmente o subchefe da PSP Armando Lopes.
10 de Março de 2005 às 00:00
O arguido foi ainda condenado por dano qualificado sobre uma viatura da GNR e resistência e coacção sobre funcionário – um chefe da PSP de Lagos que o perseguiu desde aquela cidade algarvia.
Os outros dois arguidos, Marcos Pirralho, de 27 anos, e Lúcia Ribeiro, de 33 anos, foram, entretanto, ilibados da co-autoria do crime.
A Companhia de Seguros AXA, que havia segurado o veículo, foi condenada a pagar à família 400 000 euros pelos danos patrimoniais, 60 000 pelo sofrimento da vítima e ainda 50 000 à viúva e 30 000 a cada um dos dois filhos menores, num total de mais de meio milhão de euros.
O caso remonta a 10 de Novembro de 2003, quando uma viatura conduzida pelo alemão, em que seguiam Lúcia Ribeiro e Marcos Pirralho, perseguida desde Lagos por a PSP suspeitar que transportava material roubado, só parou na ponte internacional do Rio Guadiana, depois de uma fuga de 129 quilómetros, a alta velocidade, pela Via do Infante
Uma barreira policial, ali montada, conseguiu deter o carro, mas a tentativa desesperada dos fugitivos em escapar à polícia acabaria por ser fatal para Armando Lopes. Foi atropelado pelo carro em fuga, que depois de abalroar uma das viaturas policiais atingiu o subchefe da PSP, projectando-o a grande distância.
Armando Lopes sofreu múltiplas lesões, acabando por falecer, pouco depois, no Hospital Distrital de Faro.
Ontem, o juiz Henrique Pavão, que presidiu ao colectivo, ilibou os réus portugueses de co-autoria no homicídio. Lúcia Ribeiro foi condenada a pagar uma multa de 1080 euros (por receptação de produto roubado) e Marcos Pirralho a 15 meses de prisão, suspensa por três anos (por tráfico de droga). A decisão judicial, já esperada, pois o Ministério Público tinha pedido pena severa para o alemão e leves para os portugueses, deixou, no entanto, os familiares de Armando Lopes descontentes.
“Os três estavam na viatura , pelo que deviam ter sido todos condenados. Não vamos recorrer porque queremos ver-nos livres deste pesadelo”, garantiu Gaby Lopes.
REACÇÕES DOS DIRIGENTES DE ASSOCIAÇÕES SINDICAIS DE POLÍCIA
“Os autores da morte de Armando Lopes foram postos em liberdade. A auto-estima dos polícias está à beira do abismo. A viúva de Armando Lopes, passados 16 meses, ainda está à espera de receber a pensão de sangue”. António Cartaxo, SPP/PSP Faro
“Respeitamos a decisão do tribunal, mas preocupanos o facto de dois arguidos terem sido ilibados. Os criminosos vão sentir que podem continuar a atentar contra a vida dos profissionais da PSP sem sofrerem punição”. Alberto Torres, ASPP/PSP
“Os dois cúmplices também deviam cumprir pena, até para servir de exemplo. Passaram quase 16 meses e a família da vítima ainda não recebeu um cêntimo. Os processos de sangue têm de ser resolvidos com rapidez.” António Ramos, SPP/PSP
“O juiz decide em função daquilo que é feito prova. Por isso, um arguido foi condenado a 17 anos – uma pena com algum peso – e os outros dois arguidos foram ilibados de co-autoria no homicídio”. Jorge Soares, Ass. Oficiais da PSP
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