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Correio da Manhã

Portugal

Condenado a oito anos por tentar matar esposa à navalhada

O Tribunal de Torres Vedras condenou esta terça-feira a oito anos de prisão um homem acusado de tentar matar à navalhada a esposa, que também era vítima de violência doméstica.
13 de Novembro de 2012 às 16:50
Arguido saiu esta terça-feira do Tribunal de Torres Vedras condenado por tentativa de homicídio
Arguido saiu esta terça-feira do Tribunal de Torres Vedras condenado por tentativa de homicídio FOTO: Tiago Machado

O colectivo de juízes deu como provada a maior parte dos factos da acusação do Ministério Público, condenando o arguido pelos crimes de tentativa de homicídio na forma qualificada, detenção de arma proibida e dano, praticados por motivos passionais.

Nos primeiros seis meses após a separação do casal, o arguido perseguia a vítima, agora sua ex-mulher, controlava os seus movimentos e ameaçava-a de que a iria matar.

A 24 de Fevereiro, encontrou-a dentro do seu automóvel, ao lado do namorado, a conduzir na estrada nacional 9, de Santa Cruz para Torres Vedras, e persegui-a de carro para a obrigar a parar. Como a mulher não cedeu, bateu com a viatura na da vítima.

A mulher acabou por se despistar, tendo o veículo do ex-marido ficado também imobilizado. Ambos saíram das viaturas, começaram a discutir, enquanto o homem desferia "diversas facadas no corpo" dela, atingindo-a em duas zonas do tórax e no pescoço.

"Não foi um golpe ocasional, era sua vontade tirar a vida à sua esposa", sublinhou o juiz Rui Alexandre, afirmando na leitura do acórdão que o agressor "telefonava de forma doentia" para a vítima e respectiva filha porque "não aceitava a ruptura conjugal, fazendo-lhe a vida num inferno e, mais grave do que isso, atentando contra a sua vida".

Antes da tentativa de homicídio, a vítima chegou a ser agredida pelo marido, tendo apresentado na GNR diversas queixas de violência doméstica, mais tarde retiradas a seu pedido e arquivadas.

O marido foi ainda condenado a pagar mais de 2.000 euros à vítima, devidos a indemnização civil e despesas hospitalares nos 35 dias em que recuperou das facadas e esteve internada no hospital.

"No que toca ao amor, nada é eterno, nomeadamente as mulheres, e a sua actuação faz parte de uma mentalidade para quem a mulher é como uma propriedade", criticou o juiz.

O tribunal absolveu-o dos crimes de condução perigosa, violência doméstica contra a filha e ameaça agravada a um outro homem, tido na altura dos factos como namorado da vítima.

Na altura, a relação conjugal entre a vítima e o ex-marido já tinha terminado e aguardava-se decisão judicial ao pedido de divórcio.

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