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Correio da Manhã

Portugal
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Condenado a seis anos por tentar matar ex-namorada

Tribunal de Aveiro condenou homem a seis anos de pena efetiva.
26 de Fevereiro de 2014 às 17:29

O Tribunal de Aveiro condenou hoje a seis anos de prisão efetiva, em cúmulo jurídico, um homem acusado de ter tentado matar a ex-companheira e um vizinho desta, por motivos passionais.

Os factos remontam a 08 de abril de 2013, quando o arguido se deslocou ao prédio onde a ex-companheira vivia, no centro da cidade de Aveiro, levando consigo uma arma e uma mochila contendo cordas, x-atos, fita adesiva, uma faca de cozinha e combustível.

Depois de tocar à campainha, o homem disparou um número não apurado de tiros de revólver contra a porta do apartamento e ainda baleou um morador que o surpreendeu, quando descia as escadas.

Antes disso, o arguido já tinha agredido a mulher no estabelecimento onde aquela trabalhava e chegou a ameaçá-la várias vezes de morte.

Durante a leitura do acórdão, a juíza presidente disse que o tribunal "não teve dúvidas de que o arguido tinha a intenção de matar" a ex-companheira.

"Só não conseguiu matá-la, porque nenhum projétil atravessou a porta, que era blindada", explicou a magistrada.

A juíza referiu-se ainda aos objetos que o arguido levava na mochila, afirmando que "isto vai ao encontro do tipo de ameaças" que aquele fazia à mulher, quando dizia que a cortava e desfigurava.

O tribunal deu ainda como provado que o arguido não foi interpelado pelo vizinho que foi baleado, quando os dois se cruzaram nas escadas, ao contrário do que o detido alegava.

"Não houve qualquer contacto físico. O senhor estendeu os braços ao longo do corpo, não disse nada e, mesmo assim, o arguido apontou a pistola para a zona genital e disparou", disse a juíza.

O arguido foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado na forma tentada (quatro anos), ofensa à integridade física grave na forma tentada (dois anos e oito meses), violência doméstica (um ano e nove meses) e detenção de arma proibida (um ano e nove meses).

Em cúmulo jurídico, o tribunal aplicou ao arguido uma pena única de seis anos de prisão.

Apesar de ter admitido que estava arrependido, a juíza sublinhou que o detido "não teve uma palavra para as vítimas, preocupando-se, sobretudo, em desculpabilizar-se dizendo que perdeu a cabeça".

Durante o julgamento, o arguido confessou todos os factos que constam da acusação, mas assegurou que nunca teve intenção de matar ninguém.

"Estava nervoso e a chorar", afirmou o arguido, assumindo que andava "tresloucado" após a ex-namorada ter posto fim ao relacionamento, que durava há cerca de seis anos.

O detido vai manter-se em prisão preventiva a aguardar o trânsito em julgado da decisão.

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