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Correio da Manhã

Portugal
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Condutor admite que adormeceu

O condutor do automóvel que abalroou a carrinha de escuteiros na A23, na segunda-feira, provocando oito feridos, terá adormecido ao volante segundos antes de embater. “Foi um piscar de olhos. Foi tudo tão rápido que nem deu para reagir!”, contou ontem Jorge Gonçalves.
1 de Agosto de 2007 às 00:00
Condutor admite que adormeceu
Condutor admite que adormeceu FOTO: Cosme Durão
O empresário de terraplanagens, residente em Santa Catarina da Serra, Leiria, dirigia-se para Portalegre quando ocorreu a colisão. “Ia a ultrapassar um camião e de repente só me apercebi de ter dado um toque na carrinha. Foi uma distracção de segundos”, explicou ao CM o condutor que, com 20 anos de experiência na estrada, registava apenas “um pequeno toque”.
“A vida não pode parar, mas foi muito complicado quando vi a carrinha toda empandeirada e me apercebi de que eram crianças”, afirmou o empresário, procurando conter as lágrimas. As suas três filhas também andaram nos escuteiros.
Dos feridos resultantes do acidente o que inspira maiores cuidados é Ana Cristina Antunes, de 16 anos. A jovem sofreu uma perfuração no baço, segundo familiares, e estava ontem sob observação na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de São José. Em Idanha-a-Nova, para onde a viatura acidentada se dirigia, os escuteiros que participam no XXI Acampamento Nacional aguardam por notícias do hospital. “Esperamos dar em breve o grito de alegria”, em sinal das melhoras da escuteira, disse Luís Paiva, da organização.
Os restantes feridos – Cláudia Reis, 14 anos, Luana Castro, Luís Filipe e Cláudia Rodrigues, todos de 15 anos, e Vanessa Antunes, de 17 anos – regressaram a casa depois de tratados no Hospital de Abrantes. Diogo Gomes, 17 anos, sofreu uma fractura no fémur e o chefe Bruno Santos, 30 anos, ficou com uma clavícula partida. Foram ambos transferidos para o Hospital de Torres Vedras.
"DEMOS VÁRIAS VOLTAS"
O que era para ser uma viagem memorável quase se transformou numa tragédia, lamentaram ontem os dirigentes que acompanhavam os escuteiros do agrupamento 1183 da Silveira, Torres Vedras, envolvidos no acidente de viação na A23. Um dia após o sinistro, Vanessa Antunes, uma das vítimas, ainda se emociona quando recorda os momentos de aflição que viveu. “Demos várias voltas dentro do carro e não sei como saí. Só me lembro de estarem todos a gritar e de ver a porta e sair descalça”, contou. A escuteira, de 17 anos, recebeu alta após tratamento no Hospital de Abrantes. A sua preocupação vira-se agora para Ana Cristina Antunes, uma prima que ficou em estado grave. “Ela ia ao meu lado e preparava-se para dormir um bocado, depois de termos almoçado na área de serviço. Cinco minutos depois, ouvimos um estrondo.”
LÁGRIMAS
Jorge Gonçalves lamenta o acidente e ainda está em estado de choque. Quando tenta recordar os segundos fatais quase não consegue conter as lágrimas, até porque também é pai, de três raparigas.
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