Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

CONFIRMADOS FAVORES DA BAYER A MÉDICOS

A Inspecção-Geral de Saúde confirmou que a Bayer colocava créditos à disposição de médicos em agências de viagens e que concedia esse favor à proporção das receitas de medicamentos da marca passadas pelos clínicos. O relatório foi pedido pela defesa do antigo delegado de propaganda médica Alfredo Pequito, que há anos denunciou o esquema, perdeu o emprego e luta ainda em tribunal contra a farmacêutica.
14 de Novembro de 2003 às 10:29
No passado dia 17 de Outubro, o presidente da Bayer Portugal, Francisco Belil Creixell, negou em tribunal que a empresa tenha alguma vez subornado médicos. Nesse dia recomeçou o julgamento que opõe Pequito à Bayer (ver artigo relacionado) e que agora deverá tomar outro rumo, já que a Inspecção-Geral de Saúde, a pedido da defesa de Pequito, confirmou que a farmacêutica abria créditos a favor de médicos em agências de viagens.
O relatório, documento confidencial revelado na edição de hoje do “Jornal de Notícias”, estabelece uma relação directa entre os créditos concedidos pela Bayer aos médicos e o volume de prescrições de medicamentos da farmacêutica feitas pelos clínicos. Mais, a IGS apurou ainda que a Bayer possuía uma lista com os nomes de cerca de 10 mil médicos, divididos em categorias de acordo com o volume de prescrições de medicamentos da empresa.
A Inspecção-Geral de Saúde conclui que os médicos utilizavam os créditos concedidos pela Bayer nos seus nomes em agências de viagens como uma espécie de poupança bancária. Se alguns viajavam efectivamente para congressos, outros optavam por acumular créditos para viagens maiores e outros ainda nem sequer viajaram, limitando-se a levantar a verba correspondente aos créditos concedidos.
Germano de Sousa, bastonário da Ordem dos Médicos, declarou à Rádio TSF que vai analisar o relatório e admitiu a possibilidade de abrir processos disciplinares contra os profissionais que sejam encontrados em falta no âmbito deste esquema. No entanto, o bastonário relembrou que a já famosa amnistia de 1999 pode inviabilizar as investigações.
Alfredo Pequito, contactado pela TSF, admitiu que o relatório da IGS foi pedido em tribunal pelos seus advogados e, apesar de ressalvar o facto de ainda não o ter lido, comentou: “Estou absolutamente tranquilo. Dá-me ideia de que o relatório veio demonstrar que tudo aquilo que tenho dito é verdade”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)