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Correio da Manhã

Portugal
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Conselho directivo trava banco de esperma

O primeiro banco de óvulos e esperma em Portugal devia ter começado a funcionar ontem mas, inesperadamente, o conselho directivo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) veio afirmar, em comunicado, que não estavam criadas as “condições legais e técnicas que permitam a instalação de um banco de esperma no seu edifício”.
16 de Setembro de 2006 às 00:00
O presidente do conselho directivo do ICBAS, Sousa Pereira, disse ao CM que houve, por parte de Mário Sousa, o responsável do projecto, “excesso de voluntarismo”. “Não foram salvaguardadas as questões éticas, técnicas e legais para arrancar com o banco”, afirma Sousa Pereira. O responsável do ICBAS disse que só ontem, com a suposta abertura formal do banco, é que o conselho científico do instituto se sentiu na obrigação de tomar uma posição pública.
“Esperava que o bom senso imperasse e que não se chegasse a este ponto mas, confrontado com a abertura do banco, não poderíamos ficar calados”, disse Pereira de Sousa.
O responsável do ICBAS afirma que a criação de um banco de óvulos e esperma é “matéria muito sensível”, pelo que têm de ser salvaguardados todos os procedimentos formais.
O conselho científico do ICBAS não se tinha pronunciado sobre a matéria porque ainda estava a aferir as questões éticas que envolvem a iniciativa.
“Tem de ser feita a legalização da base de dados, porque há princípios de confidencialidade para o seu uso que têm de ser salvaguardados”, disse Sousa Pereira.
A mesma fonte afirma que se criou uma expectativa na opinião pública que “agora vai sair defraudada”. No entanto, garante que “há a intenção do ICBAS de levar o projecto para a frente, mas sem passar por cima da lei, como agora ia acontecer”.
Sousa Pereira é da opinião de que a imagem de Mário de Sousa fica um pouco abalada depois deste caso. “Por muito que ele não concorde com a lei, não pode passar por cima dela.” E acrescenta que “neste caso nem há excesso de legalismo porque é matéria muito sensível”.
O CM tentou obter uma resposta do investigador Mário Sousa, mas tal não foi possível.
SOFRER COM A INFERTILIDADE
Aos 28 anos, Maria (nome fictício), técnica de controlo de qualidade, descobriu que não podia ter filhos. A partir daí seguiu-se uma série de tormentos. Perdeu o emprego, teve uma depressão e as discussões com o companheiro passaram a ser mais frequentes. “O factor financeiro pesa muito. A maior parte das pessoas fala do que gasta com o filho na escola, o nosso problema é gastarmos para ter o filho”, conta ao CM. E acrescenta: “Já fiz sete tentativas sem sucesso e isso pesa nas discussões com o meu marido. Tenho sempre um sentimento de culpa. Quando vemos todas as pessoas à nossa volta a ter filhos e nós não conseguimos, é muito frustrante”. As constantes ausências para tratamentos levaram ao despedimento da empresa onde trabalhava. “Nunca me disseram directamente, mas deram a entender que era melhor ir para casa resolver o problema”, diz. Seguiu-se uma depressão, em que ficou “completamente de rastos”.
APONTAMENTOS
^TAXA DE SUCESSO
A taxa de sucesso mais alta na Europa é entre 14% a 18%, porque é a taxa natural de sucesso do Homem. Por isso se diz que um casal é infértil quando, ao fim de um ano de relações sexuais, não consegue ter filhos.
50 POR CENTO
A micro-injecção aumenta a taxa de sucesso relativamente à injecção intra-uterina. Os casais ficam com a certeza de que em cada duas tentativas uma terá sucesso. Na micro-injecção, a fecundação não é deixada ao livre arbítrio do corpo humano.
ASSOCIAÇÃO
Os casais inférteis formaram a Associação Portuguesa de Infertilidade, que em caso de interesse poderá ser contactada através do ‘site’ www.apinfertilidade.org/.
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