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Correio da Manhã

Portugal
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Contra taxas no Parque

Contra o processo de revisão do Plano de Ordenamento do Parque Nacional Peneda--Gerês (PNPG). Foi com este mote que ontem à tarde cerca de 300 cidadãos dos concelhos de Terras de Bouro, Arcos de Valdevez e Paredes de Coura se manifestaram em Braga. O plano de ordenamento, em vias de ser aprovado, implica "taxas de passagem" a quem visita o PNPG, mas também a restrição de acesso ao parque dos próprios residentes.
24 de Janeiro de 2010 às 00:30
A população manifestou-se ontem no centro de Braga
A população manifestou-se ontem no centro de Braga FOTO: Diogo Pinto

"Faltou diálogo com as populações", diz Maria Teresa Fernandes, deputada do PSD e residente em Terras de Bouro, "e todos nós vivemos do turismo da região." Os concelhos em que o parque está inserido investiram nos últimos anos em turismo ligado à natureza e vêem esse investimento ameaçado se o plano de ordenamento for aprovado. "Não queremos que paguem para visitar a nossa aldeia [Soajo]", diz Manuel Costa. Apenas 7,5% da área do PNPG pertence ao Estado. "Até que ponto é que o Estado tem direito de pôr e dispor da propriedade privada?" questiona António Afonso, vereador em Terras de Bouro. Para as populações, o problema é bem real. Anair Ferreira, de 78 anos, conta que houve pessoas multadas por irem buscar lenha à serra. "Para quê, se aquilo é de todos?" Se o plano for aprovado, muitas famílias ficarão sem acesso a terras que estão nas suas famílias há várias gerações.

PARQUE NATURAL DO DOURO SEM VIGILÂNCIA

O Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) não tem qualquer vigilante da natureza desde Outubro, nem funcionários ou administrativos na sede, em Mogadouro.

A denúncia é feita pelo ex-director da área protegida, Domingos Amaro, que fala em decadência total. O parque já contou com dez técnicos e sete vigilantes da natureza, mas restam apenas quatro para uma área 85 mil hectares. O PNDI está ainda sem director e, durante a última época de incêndios, esteve sem qualquer viatura. Também no Parque Natural de Montesinho, em Bragança, três das seis viaturas alegadamente não circulam por falta de inspecções periódicas e de pagamento na oficina.

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