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Correio da Manhã

Portugal
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Corpo dez horas à espera de óbito

Manuel de Sousa Viegas, 85 anos, utente do Lar de Idosos de Querença, faleceu ontem. Uma funcionária da instituição constatou, na ronda, às 03h30, o inevitável, dado o precário estado de saúde do octogenário.
27 de Agosto de 2008 às 00:30
 Três militares da GNR esperaram sete horas pela retirada do cadáver de Manuel Viegas
Três militares da GNR esperaram sete horas pela retirada do cadáver de Manuel Viegas FOTO: Nuno Jesus

Familiares e GNR foram alertados, e a Guarda fez deslocar ao lar três elementos, que chegaram cerca das06h30. De imediato, pediram a comparência da Delegada de Saúde de Loulé para a certificação do óbito, indispensável para o levantamento do corpo. Mas acabaram por ficar no local sete horas.

"Estivemos toda a manhã à espera da chegada da Delegada que, às 11h00, mandou recado dizendo que a família tinha de arranjar um médico particular para passar a certidão de óbito", explica Anacleto Viegas de Sousa, irmão do falecido, que considera "uma falta de respeito pela família e pelos idosos do lar".

Com as horas a passarem, o irmão da vítima lembrou-se de uma médica em férias na região. "Fez o favor de se deslocar ao lar. Cobrou 70 euros, mas realizou o serviço que devia ser efectuado pela Delegada de Saúde", diz Anacleto de Sousa.

Novo impasse, pois os GNR não tinham a certeza de que podiam libertar o corpo sem a assinatura da delegada, pelo que a funerária só às 13h45 pôde levantar o corpo.

Malin Lofgren, porta-voz da ARS/Algarve, explicou ao CM que emitir certidão de óbito em mortes naturais" não faz parte das competências dos delegados de Saúde".

"Qualquer médico pode passar essas certidões, caso conclua que é uma morte natural sem contornos judiciários", esclarece Malin.

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