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Correio da Manhã

Portugal
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CORREU COM ASSALTANTES

A dona da espingardaria levou a melhor no jogo do empurra. O assaltante, de caçadeira em punho, foi o primeiro, apanhou-a desprevenida e atirou-a para dentro da loja. “Assalto!”, avisou. Lindora Garcia não se ficou, respondeu ao empurrão e atirou o homem outra vez para fora. “Gatunos, ladrões!”, gritou. Talvez surpreendido, talvez assustado, o indivíduo juntou-se aos dois cúmplices e fugiu de carro. Ficou um sentimento estranho, anteontem, no centro da Damaia, na Amadora.
21 de Julho de 2004 às 00:00
“Não é uma questão de ter medo, mas não consigo ver pessoas a roubar o que é meu”, contou ao Correio da Manhã a proprietária da espingardaria Ferreira, na Rua Carvalho Araújo. “Mas isto vai ter de mudar. Quero vender as espingardas e fico só com o resto”, admitiu Lindora Garcia, de 66 anos.
A tentativa de assalto ocorreu pelas 11h00. A proprietária, como é habitual, estava no interior, sentada junto à comida dos pássaros e concentrada nos bordados. “Mal cheguei à porta, veio um com uma arma e empurrou-me para dentro”, contou. O assaltante, que estava encapuzado, disse apenas uma palavra: “Assalto!”
Foi então que a mulher reagiu. “Virei-me e empurrei-o para fora daqui e comecei a gritar ‘Gatunos, ladrões’ e eles fugiram”, recorda. “Estar a falar nisto deixa-me com arrepios.” Passadas vinte e quatro horas, reconhece que talvez tenha arriscado demasiado, mas a verdade é que o assaltante encapuzado e outros dois que o esperavam fugiram.
De acordo com a PSP, foi recolhido no local um cartucho de caçadeira de calibre 12, a arma utilizada na tentativa de assalto. O carro da fuga, um Alfa Romeo 164 com matrícula falsa, foi encontrado na zona de Alfragide, também na Amadora. Ao verificar o número de série, constatou-se que a viatura era furtada. Pistas que a PJ vai agora investigar.
CAÇADEIRAS SERVEM PARA MAIS ROUBOS
Na espingardaria Ferreira, as caçadeiras estão atrás do balcão, protegidas por vidro e trancadas. Mas nem isso demove os assaltantes que as procuram por uma de duas razões: para vender ou para utilizar em novos assaltos.
Ao contrário do que sucedeu na Damaia, este ano já foram registados mais alguns assaltos a espingardarias, todos com resultados. Em Janeiro, no espaço de cinco dias, dois destes estabelecimentos, um em Vila Verde e outro em Amares, foram roubados. Curiosamente, aos dois casos, seguiu-se uma vaga de roubos a outros estabelecimentos. A coincidência não passou despercebida às autoridades, que acreditam poder tratar-se do mesmo grupo. Em ambas as espingardarias, o assalto durou escassos minutos.
Em Vila Verde, os encapuzados partiram a montra e fugiram com seis armas da espingardaria Lago. Seis dias antes, em Amares, tinham arrombado as grades de protecção e partido a montra. Para levarem oito armas.
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