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Correio da Manhã

Portugal
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CORRIDA AOS TRANSPORTES

Reflexo da crise económica e do aumento dos combustíveis os portugueses estão a deixar o carro à porta de casa e a utilizar os transportes ferroviários para se deslocarem para o trabalho.
4 de Julho de 2004 às 00:00
Numa inversão histórica, os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que no mês de Março o tráfego suburbano de comboios cresceu 5,2 por cento face a igual período do ano anterior. Por sua vez, nos metropolitanos de Lisboa e Porto o aumento foi ainda mais acentuado cifrando-se em 9 por cento.
Em queda constante desde a década de noventa do século passado, os comboios suburbanos transportaram em Março último, 12,2 milhões de passageiros, a maioria dos quais circulou na Linha de Sintra. Também a crescer, os passageiros que utilizaram os metros do Porto e Lisboa, representaram em Março último um valor de 17,1 milhões.
Para o presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário (ADFER), Arménio Matias, “as dificuldades económicas existentes levam as pessoas a fazerem opções mais cuidadas em relação aos transportes”. Arménio Matias acrescentou que os valores de Março traduzem uma realidade em que “o custo do combustível provocou uma maior sensibilização para a vantagem do transporte público”.
No segundo trimestre de 2004, é provável que o número de utentes tenha novamente crescido. Aliado ao elevado preço dos combustíveis, entre Abril e Maio, surgiram novas infra-estruturas. No Grande Porto, a rede de metro atingiu a Estádio do Dragão, e os comboios suburbanos beneficiam agora Braga e Guimarães. Na Grande Lisboa, as melhorias sentidas foram o prolongamento do Metro até Odivelas e Amadora.
IC19 PERDE AUTOMÓVEIS
O Itinerário Complentar 19 (a via mais congestionada da Europa) é um exemplo claro da quebra do poder de compra. Segundo os últimos dados obtidos, o Instituto de Estradas de Portugal revela que em Fevereiro último, no nó da Barcarena, circularam diariamente 117 072 veículos, ou seja cerca de quatro mil automóveis a menos face a igual período do ano anterior quando foram registados 120 950 veículos.
Para o presidente da ADFER, Arménio Matias, este é mais um indicador da ligação existente entre “a evolução da procura no transporte público e a redução no transporte privado”. Recorde-se que nos três primeiros meses deste ano o preço do gasóleo subiu 5,7 por cento. E a cotação do crude atingiu a 13 de Maio último um recorde histórico com o preço do barril a valer 41,5 dólares nos mercados nova iorquinos.
Com a liberalização do preço do combustíveis a 1 de Janeiro último, este não tem parado de subir verificando-se um aumento médio do preço do gasóleo de oito cêntimos e 12 na gasolina.
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