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Correio da Manhã

Portugal
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Corrida previne idas às urgências

Os hábitos saudáveis como o exercício físico são dos melhores remédios para a saúde. Que o diga Mário Gomes, 54 anos: “Faço por esquecer aquilo que tenho há oito anos: um ‘pacemaker’”. Desde então, o coração deste desportista convicto não voltou a traí-lo. Ontem, vestiu-se para a 1.ª Corrida pela Saúde – iniciativa do Hospital Amadora-Sintra – e, depois de percorrer os seis quilómetros da prova, 28 minutos, abraçou Inês, a filha de quatro anos.
7 de Novembro de 2005 às 00:00
Os 1100 participantes, no percurso de seis quilómetros de ida e volta ao Hospital, inspiraram-se numa ideia que junta o desporto à vida sem doenças
Os 1100 participantes, no percurso de seis quilómetros de ida e volta ao Hospital, inspiraram-se numa ideia que junta o desporto à vida sem doenças FOTO: Jorge Paula
“Foi uma prova curta, para quem está habituado a meias-maratonas de dez a 15 quilómetros”, atesta o motorista, frisando o seu objectivo: prevenir doenças, praticando desporto sob vigilância.
A festa era dos doentes. Fábio Campeão, 20 anos, correu com dois pacotes de açúcar no bolso e um de sumo. O jovem diabético não evita desportos como ‘rafting’ (descida de rios em barcos de borracha através da corrente) porque aprendeu que a solução para qualquer percalço pode ser doce. Além do mais, Fábio não estava sozinho. A Associação de Jovens Diabéticos de Portugal mobilizou mais de uma dezena de sócios.
ATLETAS DÃO EXEMPLO
Às 10h sentia-se frio, mas não tanto que arrepiasse os 1100 participantes na Corrida pela Saúde, com início e fim no Hospital Fernando Fonseca, passando pela Amadora e Queluz. António Leitão, ex-atleta olímpico, deu a partida àquele mar de gente.
Em apenas 18 minutos, João Junqueira, 40 anos, andou mais depressa e cruzou a meta. “Quando estava a chegar ao Hospital abrandei para não ficar tão distante do segundo”, revela ao CM o atleta do Maratona Clube de Portugal. “Tenho uma saúde de ferro. E tudo se deve ao meu anjo da guarda, o dr. Paulo Beckert, chefe de serviço de Fisiatria do Hospital Amadora-Sintra.”
“É um evento que junta o exercício físico à saúde, mas que também estreita as relações entre hospital e a comunidade”, disse ao CM Rui Raposo, presidente do Conselho de Administração hospitalar. “Queremos que as pessoas conheçam uma realidade diferente das urgências.”
ASSOCIAÇÃO DE JOVENS DIABÉTICOS APOIA
Ainda há pessoas que pensam que os doentes não devem fazer exercício físico. O jovens diabéticos mobilizaram-se, mais uma vez, para provar o contrário. E para se divertirem.
'PACEMAKER' NÃO IMPEDIU MÁRIO DE CORRER
Não saiu vencedor da corrida, mas todos os dias vive o espírito da vitória por ter superado um grave problema cardíaco. Mário Gomes, 54 anos, há oito que tem um ‘pacemaker’ a ajudar o coração a bater. Não se priva da prática de desportos e de levar uma vida normal de motorista. Mas o melhor aconteceu há quatro anos – nasceu Inês, a filha.
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