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Correio da Manhã

Portugal

Corrupção na TAP lava 25 milhões de Angola

Altos quadros da companhia aérea ajudaram a esconder fortunas ligadas à Sonangol.
Henrique Machado 21 de Julho de 2017 às 01:30
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Corrupção na TAP lava 25 milhões de Angola
A TAP, companhia de bandeira nacional, foi usada num esquema ilícito de branqueamento de mais de 25 milhões de euros, no nosso país, de responsáveis da petrolífera angolana Sonangol, pelas mãos de altos responsáveis da transportadora aérea portuguesa, entre eles o ex-administrador da TAP Fernando Jorge Alves Sobral. É esta a conclusão do Ministério Público (MP), na sequência da investigação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ.

O engenheiro, de 68 anos, contou do lado da TAP com o conluio de outros três altos responsáveis da companhia – todos ligados à área da manutenção: José Santos, Vítor Pinto e Pedro Pedroso. Segundo a acusação do MP, os quatro terão permitido e ajudado a montar em Portugal um esquema de falsa prestação de serviços da TAP à Sonair, uma empresa subsidiária da Sonangol – que mais não era do que uma forma de responsáveis da petrolífera colocarem no nosso país, de forma dissimulada, elevados valores com proveniência ilícita.

Ao todo, mais de 25 milhões de euros circularam por diversas contas até ao destino final – nomeadamente por sociedades offshore – mas que não visavam qualquer negócio real entre as companhias de aviação. Apenas se destinavam a engrossar fortunas pessoais em Portugal, através da compra de várias casas de luxo na Grande Lisboa.
Por tudo isto, os quatro antigos responsáveis da TAP estão agora entre sete acusados do DCIAP, que respondem pelos crimes de corrupção ativa com prejuízo no comércio internacional, branqueamento e ainda falsificação de documentos.

Em causa, a investigação iniciada e impulsionada pelo procurador Rosário Teixeira – que depois deixou o processo para se dedicar ao caso Sócrates –, em articulação com a Judiciária.

Quanto aos outros três acusados, são os advogados João Gomes Correia, Miguel Alves Coelho e Ana Paula Reais. Entende a acusação que terão sido intermediários no complexo esquema de branqueamento – nomeadamente através de falsos serviços de consultadoria.

Em comunicado a TAP confirma que "prestou total colaboração às Autoridades Judiciárias" e que "comunicou ao Ministério Público todos os elementos relativos às operações a que este processo diz respeito, logo que tomou conhecimento dos mesmos."

Pormenores
Altos cargos
Fernando Sobral, um dos acusados, foi nomeado vogal do conselho de administração executivo da TAP no final de 2006. O engenheiro desempenhou outros altos cargos na TAP.

Nove casas e 21 contas
A investigação levou à apreensão de nove casas de luxo e dos saldos de 21 contas bancárias – fortuna que o Ministério Público pede que seja declarada perdida a favor do Estado português.

Mediação fictícia
O dinheiro que circulava da Sonair para a TAP era, depois, branqueado com a mediação de outra empresa, a Worldair, que cobrava comissões milionárias.
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