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Correio da Manhã

Portugal
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CORTE NA ENFERMAGEM

Crianças, adolescentes, grávidas, idosos, doentes acamados e em fase terminal, diabéticos e hipertensos estão a perder a assistência e os cuidados de enfermagem. Tudo porque o Governo, através das ARS - Administrações Regionais de Saúde - está a cortar nos horários dos enfermeiros. Esta diminuição de cuidados primários afecta utentes de centros de saúde de todo o País.
30 de Agosto de 2004 às 00:00
Os enfermeiros acusam que, por razões económicas, se esteja a reduzir a assistência à população
Os enfermeiros acusam que, por razões económicas, se esteja a reduzir a assistência à população FOTO: Natália Ferraz
Os enfermeiros estão a ser obrigados a parar acções de promoção da saúde e prevenção da doença, projectos esses que eram feitos no horário diferenciado, ou seja, além das 35 horas semanais, o que levava o enfermeiro a cumprir 42 horas.
Assim, a diminuição do número de horas prestadas nos centros de saúde traduz-se no cancelamento da prestação de cuidados continuados, tais como: visitas domiciliárias a doentes acamados e de consultas de enfermagem de saúde materna, saúde infantil, de planeamento familiar, a adolescentes, a hipertensos e a diabéticos.
"Estes cortes têm efeitos negativos na população e devem-se a decisões de natureza económica", denuncia Guadalupe Simões, vice-coordenadora nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
O SEP contesta ainda a "grande precaridade" de emprego que afecta actualmente cerca de cinco mil enfermeiros, que estão com contrato individual de trabalho a termo certo, renovável por 6 meses.
"O problema é que quando os enfermeiros terminam a sua integração nos serviços transferem-nos para outras unidades para não lhes renovar o contrato. Este problema acaba por resultar numa grande instabilidade para o enfermeiro, que perde motivação, e na falta de rentabilidade do próprio serviço", sublinha a dirigente sindical.
Para a sindicalista é "contraditório" que se estabeleçam objectivos de produtividade e depois se implementem medidas que desvalorizam o trabalho do enfermeiro e diminuem as condições de trabalho.
Todas estas questões acabam por desumanizar os cuidados de saúde prestados pelos enfermeiros que, acusam, visam reduzir despesas à sua custa. Por tudo isso, o SEP reúne hoje com o ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira. Contactada pelo CM, uma das assessoras do Ministério da Saúde, esclareceu que "se o ministro entender dar alguma explicação sobre o assunto o fará após a reunião com os enfermeiros".
PROFISSIONAIS AMEAÇADOS
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) está preocupado com a situação vivida pelos profissionais de saúde que trabalham no bloco operatório do Hospital Amadora- -Sintra, que pode culminar em formas de luta que incluem a greve.
"Sabemos que o conselho de administração daquele hospital de gestão privada está a dar formação a auxiliares de acção médica com o objectivo de executarem actividades que são da competência dos enfermeiros, no caso que trabalham no bloco operatório", denuncia a sindicalista Guadalupe Simões.
O SEP tem conhecimento que "alguns enfermeiros que se opõem a esta medida foram transferidos e foram ainda ameaçados que sofreriam represálias aqueles que não concordassem com a situação". O sindicato vai solicitar reunião urgente com o conselho de administração daquele hospital.
NUM MINUTO
REUNIÃO COM MINISTRO
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses apresenta hoje ao ministro da Saúde estas preocupações que afectam a classe dos profissionais, que trabalham nos hospitais públicos, nos SA e nos centros de saúde.
ESPECIALIZAÇÃO
O Sindicato dos Enfermeiros pretende que todos os profissionais possam aderir a cursos de formação especializada, por ser preocupante a falta de enfermeiros especialistas nos hospitais.
CUIDADOS CONTINUADOS
Os cuidados continuados de enfermagem são prestados no centro de saúde ou em casa: injecções, pensos, aspiração de secreções
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