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Correio da Manhã

Portugal
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Cortes ameaçam resposta da GNR

"Estamos nos limites. Se tivermos de cortar mais na componente orçamental, teremos também de cortar na componente operacional." Foi desta forma que o comandante-geral da GNR resumiu ontem, na cerimónia comemorativa do centenário da Guarda, os problemas financeiros que estão a afectar a instituição .

8 de Maio de 2011 às 00:30
Cavaco Silva assistiu à cerimónia ao lado de Newton Parreira
Cavaco Silva assistiu à cerimónia ao lado de Newton Parreira FOTO: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Segundo o tenente-general Newton Parreira, já há cortes na parte logística. Ao que o CM apurou, estes cortes passaram até pelas celebrações dos 100 anos da GNR: tanto a exposição no Quartel do Carmo como o desfile de bicicletas históricas, ontem em Belém, foram pagos por empresas privadas. Além disso, registam-se dívidas de vária ordem, como a que levou ao corte do fornecimento de gás na Escola da Guarda, em Queluz.

Newton Parreira reconheceu ainda o atraso de cerca de um mês nos pagamentos à Segurança Social e IRS. "Estamos à espera que nos atribuam essa verba", disse, garantido que "o pagamento dos ordenados nunca esteve em risco, até agora".

O comandante-geral destacou ainda a necessidade de se ter "imaginação e criatividade para rentabilizar os meios". Os cortes foram visíveis na cerimónia de ontem, sem documentação para distribuir à Comunicação Social nem uma cópia do discurso do comandante-geral. Aliás, até os elementos que narraram a cerimónia, na qual participaram apenas quatro dos 24 comandos territoriais, disseram: "Por motivos de contenção orçamental, o desfile é mais reduzido este ano, pelo que pedimos a compreensão de todos."

Para José Manageiro, da Associação dos Profissionais da GNR, o comando-geral "tem uma visão muito lúcida da realidade". José Alho, da ASPIG, considerou o discurso "muito positivo e corajoso".

REESTRUTURAÇÃO É HIPÓTESE

Pela segunda vez desde que é comandante-geral da GNR, o tenente-general Newton Parreira admitiu ter planos para alterar a estrutura da força de segurança que dirige, voltando a instaurar comandos centralizados das componentes de trânsito e fiscal. Tanto na tomada de posse como durante a parada militar de ontem, que celebrou os 100 anos da corporação, o oficial reconheceu que a operacionalidade da GNR poderá ser melhorada com a saída do patrulhamento de trânsito da alçada dos comandos territoriais, passando-o para um comando único e centralizado.

No mesmo sentido poderá caminhar a vertente fiscal e de controlo costeiro da Guarda. Aliás, ao que apurou o CM, a futura unidade que Newton quer implementar centralizará a investigação aduaneira e a fiscalização da costa. 

GNR limites orçamento
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