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Correio da Manhã

Portugal
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Cortes atingem Saúde

O número de centros de saúde com Serviço de Atendimento Permanente (SAP) ou com Unidades de Internamento diminuiu no ano passado, em relação a 2004. Foram também reduzidas as camas nos hospitais destinadas aos internamentos das várias especialidades médicas e cirúrgicas. Por oposição, dispararam as idas às Urgências – mais 151 735 registos no ano passado – e aumentaram ainda as cirurgias: mais 2551 operações em 2005.
11 de Novembro de 2006 às 00:00
Estes são os resultados do relatório da Direcção-Geral de Saúde que avalia toda a actividade e recursos dos centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O documento, intitulado ‘Centros de Saúde e Hospitais – Produção do Serviço Nacional de Saúde 2005’, foi ontem tornado público por aquele organismo.
O documento revela que, comparativamente a 2004, no ano passado houve uma diminuição de quatro centros de saúde com SAP e de menos seis centros de saúde com Unidades de Internamento. A redução do número de camas é elevado: menos 101 do que no ano anterior.
O número de doentes internados nos hospitais do Continente também foi reduzido: menos 155 em 2005.
Confrontada com a redução do número de camas para os doentes, fonte do gabinete de Comunicação do Ministério da Saúde desvaloriza esses cortes e afirma que “até há camas a mais”.
SUBAPROVEITAMENTO
Uma afirmação que é confirmada pela taxa de ocupação das camas nos hospitais – um valor que indica se a cama é ocupada por um doente ou se está vaga –, que atinge os 77 por cento, o que indica um subaproveitamento dos meios hospitalares.
É essa, pelo menos, a opinião de Teresa Martins, da Divisão de Estatística da Direcção-Geral de Saúde. “Essa percentagem [77 por cento] revela que não está atingida a totalidade da taxa de ocupação.”
Os cortes na Saúde chegaram ainda à redução do número de salas de consulta externa, menos quatro em 2005 – há um total de 3360.
Na contabilidade do relatório da Direcção-Geral de Saúde entraram menos três hospitais (89 em 2005 e 92 em 2004), uma situação explicada pela agregação de vários hospitais em centros hospitalares.
Apesar da medida polémica do fecho de várias maternidades – que desde Junho tem levado multidões a manifestarem-se contra e a serem apresentadas providências cautelares em Tribunal –, registou-se um aumento do número de salas de parto de 2004 para 2005, passando de 152 para 160 salas.
"POLÍTICAS DE SAÚDE ESTÃO A FALHAR"
A falta de resposta de uma medicina familiar e preventiva, associada ao aumento do envelhecimento da população, justifica o aumento das idas às Urgências dos hospitais, uma situação que se verificou em 2005. Estas circunstâncias ditam um “falhanço” das políticas de saúde que têm vindo a ser tomadas. Esta é a opinião de Manuel Delgado, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.
“Os centros de saúde não têm meios técnicos nem recursos humanos que justifiquem as camas, pelo que não parece ser muito errado reduzi-las. Contudo, a falta de uma medicina familiar e preventiva nos centros de saúde acaba por levar as pessoas às Urgências dos hospitais, uma situação que têm querido inverter mas não conseguem, o que revela uma falha nas políticas de saúde que têm vindo a ser tomadas nos últimos anos”, disse Manuel Delgado.
NÚMEROS DO SNS EM 2005
- 5 728 é o número de total de médicos especializados em medicina geral e familiar que trabalham nos centros de saúde.
- 28 milhões de consultas prestadas pelos centros de saúde nas várias valências: saúde materna, adultos, planeamento familiar, domicílios.
- 5 187 499 é o número total de consultas médicas prestadas apenas nos hospitais, nas várias especialidades médicas.
- 6 362 366 é o número total de doentes observados nas Urgências dos hospitais gerais, especializados e distritais.
- 507 094 é o número de intervenções cirúrgicas realizadas nas 502 salas dos blocos operatórios dos hospitais portugueses.
- 91 547 partos realizados nas 160 maternidades que existiam no País no ano passado.
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