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Correio da Manhã

Portugal
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COSMÉTICOS PERIGOSOS

Todos os produtos cosméticos e de higiene corporal que contêm fitoestrogénios devem ser retirados imediatamente do mercado nacional, ordenou o Infarmed – Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento.
24 de Junho de 2004 às 00:00
Esta autoridade do medicamento no País já notificou as empresas responsáveis pela colocação no mercado português dos produtos que contêm fitoestrogénios para que os recolham num prazo que termina amanhã.
“Os fitoestrogénios administrados por via oral não têm provocado problemas, mas os que são absorvidos por via cutânea, ou seja, através da pele, esses sim têm dado problemas”, declara ao CM Luís Santiago, especialista em farmacovigilância.
Os problemas referidos por este especialista são o aumento de casos de cancro e de AVC – acidentes vasculares cerebrais – já demonstrados por vários estudos europeus e americanos.
Luís Santiago explica que os produtos que contêm substâncias compostas com algas e o estrogénio, a hormona sexual feminina que é responsável pelas alterações ocorridas durante o período da ovulação, acabam por ser absorvidas pelo organismo.
FALSOS PRODUTOS NATURAIS
“Qual o grau de absorção dos fitoestrogénios? Que outras substâncias compõem esses produtos? Contêm outras hormonas?” São algumas das questões que Luís Santiago coloca.
Luís Pisco, presidente da Associação dos Médicos de Clínica Geral, lembra que na menopausa ou no período pós-menopausa a mulher toma vários produtos com “fitoestrogénios naturais” pensando que são inofensivos.
“Por serem vendidos como produtos naturais a mulher pensa que são inócuos, mas não são. Não existem produtos naturais, são todos transformados”, afirma o clínico, sublinhando que já “havia a suspeita desde há muito tempo dos riscos que estes produtos dito naturais provocam”.
A recolha dos produtos do mercado nacional deve-se, segundo o Infarmed, ao cumprimento de directivas comunitárias e da legislação nacional, que proíbe estas substâncias na composição dos produtos.
DÚVIDAS
O Infarmed assegura que a retirada do mercado português não se deve a qualquer caso de reacção adversa. No entanto, por responder fica a questão do porquê de só agora ter sido tomada esta decisão pelo Infarmed, quando na realidade esta proibição já consta na legislação portuguesa (dec-lei 100/2001) de há três anos.
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