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Correio da Manhã

Portugal
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Coveiros só abrem uma cova por dia

Os coveiros de Vila Flor, distrito de Bragança, só abrem uma cova por dia. Quando acontece morrer mais de uma pessoa na mesma aldeia, para ser enterrada no mesmo cemitério, a solução é esperar pelo dia seguinte para realizar o funeral ou então os familiares têm de realizar o trabalho.
28 de Junho de 2006 às 00:00
Ontem, uma família da freguesia de Valtorno, onde havia dois funerais para fazer, ficou indignada quando os funcionários municipais, depois de abrirem uma cova, recusaram abrir a segunda, dizendo que só “tinham dois braços e que ninguém consegue conduzir dois jipes ao mesmo tempo”.
Para realizar o serviço, as famílias dos falecidos têm de transportar os coveiros – ida e volta para a sede – que, enquanto esperam para tapar a cova, exigem alimentação em restaurante, recusando ser servidos em casa dos familiares do defunto.
Isilda Sacramento, neta de uma falecida, era o espelho da revolta. “Isto é uma situação horrível, só quem passa por isto sabe o que é sofrer. É uma falta de respeito por quem está morto e pelos familiares que já têm o coração despedaçado e ainda têm de aturar esta humilhação.”
NEM O SECRETÁRIO
“Falámos com o secretário da Câmara Municipal, senhor Fernandes – continua Isilda Sacramento – para que a cova da minha avó fosse aberta. Ele deu a ordem, mas os coveiros dissera-lhe que não tinham quatro braços. Ficaram parados, com ar de gozo, a ver o meu irmão e o primo trabalhar,.”
Ao que o CM conseguiu apurar, às 08h00 os dois coveiros de Vila Flor foram transportados ao cemitério da aldeia de Valtorno. Após abrirem a cova para a idosa que tinha falecido primeiro, trabalho que foi finalizado por volta das 10h00, sentaram-se à sombra, dizendo aos familiares da outra falecida que o trabalho deles estava concluído.
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