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Correio da Manhã

Portugal
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Cozinha moderna marca Festival de Gastronomia

Descobrir novos sabores que combinem a culinária ancestral com a cozinha moderna é o mote do Festival Nacional de Gastronomia, que promete sentar Portugal à mesa na Casa do Campino, em Santarém, de 13 de Outubro a 2 de Novembro. O certame, a caminho da 28ª edição, encontrou a fórmula do sucesso ao mudar de filosofia e ao apostar num "casamento feliz" entre a preservação das tradições de cada região e a introdução de toque de modernidade na confecção dos pratos.

4 de Outubro de 2008 às 00:30
Numa das tendas haverá queijos e enchidos. Participam 12 restaurantes e uma tasquinha da Galiza
Numa das tendas haverá queijos e enchidos. Participam 12 restaurantes e uma tasquinha da Galiza FOTO: Jorge Paula

"Que não se associe isto à Nouvelle Cuisine. Mantemos uma cozinha com base nos produtos tradicionais, mas a que se juntam novos ingredientes e novas formas de confecção, fruto da evolução tecnológica ou da preocupação com a saúde", explica Carlos Abreu, responsável pela organização.

"Há que dar liberdade à criatividade do cozinheiro, tal como se dá ao artista quando pinta", exemplifica o mesmo responsável, adiantando que as inovações se vão sentir sobretudo nos almoços regionais, onde ficam no ar promessas de surpresas agradáveis, não só para o palato, mas para todos os sentidos. "Quem procura a cozinha tradicional encontra-a ao seu melhor nível nos restaurantes e tasquinhas", garante.

A extinção das regiões de turismo provocou algumas alterações no figurino do festival, que este ano se encontra demarcado por 12 regiões gastronómicas do Continente e Açores, cada uma com um restaurante, a que se junta uma tasquinha da Galiza. São Tomé e Príncipe é o segundo país estrangeiro convidado, mas só num almoço regional.

A diminuição do número de restaurantes de 18 para 13 permite também aumentar a área de serviço de cada um, que terão mais lugares sentados. Para evitar visitas incómodas da ASAE, têm ainda cozinha e copa própria e um pavimento novo colocado propositadamente para o certame.

ESPERADAS CEM MIL VISITAS

A crise económica que se tem feito sentir nos bolsos dos portugueses tem "reflexos directos no festival", garante Carlos Abreu. "Essa crise manifesta-se, não só ao nível das entradas, mas também no consumo nos restaurantes, que têm registado quebras ao nível da quantidade servida aos visitantes." No entanto, a organização espera chegar aos cem mil visitantes durante os 21 dias do certame, que este ano se prolonga por mais três dias em relação ao ano passado, em que registou uma afluência superior a noventa mil pessoas.

Para estimular os visitantes a deslocarem-se ao festival, a organização decidiu manter os preços dos bilhetes nos 2,5 euros e reduzi-los para dois euros em alguns dias. Os preços das ementas nos restaurantes também não vão sofrer aumentos significativos, diz Carlos Abreu.

"QUEM NOS VISITA TEM DE TER FOME DE VOLTAR" (Moita Flores, Presidente da Câmara de Santarém)

Correio da Manhã – Qual a importância actual do festival para a cidade?

Moita Flores – É um acontecimento decisivo na afirmação de Santarém como pólo de atracção turística. A gastronomia tem mistérios, segredos e sabores que se revelam neste festival.

– O investimento da Câmara tem sido compensador?

– Altamente compensador, e daí o nosso empenho na sua realização, porque o evento mobiliza centenas de milhar de pessoas. O nosso objectivo é criar em quem nos visita a fome de voltar.

– Como pretende que evolua em edições seguintes?

– No sentido da internacionalização. Estamos num ponto em que somos obrigados a ter uma visão mais alargada no quadro da União Europeia (UE), e isso obriga-nos a atravessar fronteiras. Esta internacionalização tem como visão estratégica a integração dos países da UE, sobretudo aqueles onde Portugal tem maiores interesses turísticos, como a Espanha, França e Inglaterra. São eles que alimentam o turismo português e queremos Santarém incluída nestas rotas turísticas através da gastronomia.

SAIBA MAIS

PARTICIPANTES

Está prevista a participantes de 12 restaurantes de regiões gastronómicas e um da Galiza, além de uma tenda com queijos, enchidos e salsicharia e de um pavilhão dedicado à doçaria e aos licores tradicionais, com degustação.

CONGRESSO

Um dos destaques do festival é o 4.º Congresso Nacional dos Profissionais de Cozinha, que vai reunir os melhores chefes e cozinheiros portugueses, alguns com talento reconhecido em restaurantes estrangeiros. Um dos dias é dedicado à pastelaria.

RIBATEJO

A região anfitriã, o Ribatejo, irá servir o primeiro almoço regional. Haverá sopa da pedra com caviar de coentros, peixes do Tejo com lapardana em azeitona preta e nacos de touro bravo em xarope do Cartaxo semi-sólido.

FESTIVAL DE GASTRONOMIA

COM IR

Pela A1 até à saída de Santarém pela circular urbana D. Luís e seguir as placas indicativas até à Casa do Campino

PREÇO DOS BILHETES

Dias 13 a 16 e segundas-feiras: 2 euros

Cadernetas de dez ingressos: 20 euros

Almoços regionais: 27,50 euros

HORÁRIO

Dias de semana: 12h00-16h00 e das 19h00-24h00

Fim-de-semana e feriados: 12h00-24h00 

 

 

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