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Correio da Manhã

Portugal
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CP JUSTIFICA ATRASOS

Luís Silva, 22 anos, utente desde há oito anos dos comboios da CP, da Linha da Azambuja, defende “que os comboios só em situações excepcionais se atrasam”. A opinião deste estudante de engenharia electrónica coincide com o relatório de pontualidade ontem divulgado pela CP e que atribui a esta linha suburbana de Lisboa uma das mais elevadas taxas de pontualidade, com 88 por cento.
27 de Março de 2003 às 00:28
Luís Santos considera excessivo o preço do passe L123
Luís Santos considera excessivo o preço do passe L123 FOTO: Natália Ferraz
Bem diferente foi a realidade registada, no último ano, no Intercidades para a Guarda (56 de pontualidade) ou no Intercidades para Faro, onde a maioria dos comboios, (53), não chega a horas.
Caos há oito anos
Luís Silva, residente na Póvoa de Santa Iria (Vila Franca de Xira), acrescentou que os comboios de hoje na Linha da Azambuja nada têm a ver com a realidade de há oito anos, “quando para viajar da estação da Póvoa para Lisboa era necessário muito mais do que a actual meia hora”.
O jovem, interrogado na estação de Entrecampos, aponta como causas para o não cumprimento dos horários: “os dias de chuva intensa, em que por vezes os comboios chegam a parar” e “as avarias nomeadamente por causa da queda de uma catenária”. A sua maior crítica para a circulação ferroviária vai para o preço dos transportes. “É caro, pago 40,85 euros pelo passe L123”, disse.
Cascais à frente
No relatório, a CP aponta a principal causa para o incumprimento dos horários, em tempos superiores a cinco minutos, à Refer. “De acordo com a análise dos indicadores constata-se que a entidade gestora da infra-estrutura ferroviária (Refer) é a responsável por 66 por cento, em média, das causas que contribuem directamente para as perturbações de tráfego”, revela a transportadora ferroviária. No âmbito desta classificação, as anomalias provocadas pela CP representam 31 por cento dos atrasos, os acidentes 1 por cento, e os restantes dois por cento são outras causas, como greves.
O serviço Alfa Pendular (Lisboa/Porto) foi o único serviço da CP que piorou a pontualidade no último ano, face aos valores obtidos em 2001. Assim, em cada cem alfas 22 chegam atrasados, quando em 2001 eram 14.
Nos restantes serviços a pontualidade reparte-se da seguinte forma: Intercidades 70 por cento; Internacionais 86; InterRegionais 74; e Suburbanos do Porto 84. Na rede de Lisboa é obtida a pontualidade mais elevada com 90 de média. Nas quatro linhas deste sistema, Cascais lidera com 95 por cento, seguindo-se Sintra com 94, Azambuja com 88 e Sado com 75.
TROFA PÁRA ‘AMARELOS’
Os ‘Amarelos’, as mais modernas composições a circular nas linhas dos suburbanos do Porto, estão parados perante o impasse existente para a modernização de 2,5 quilómetros de linha na Trofa. As dez composições com um custo cada de 4,5 milhões de euros “estão impedidas de circular até Santo Tirso porque permanece por resolver a instalação da catenária em 2,5 quilómetros de linha” disse ao CM, o vogal da Comissão Executiva dos Suburbanos do Porto, Mamede Fernandes.
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