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Correio da Manhã

Portugal
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Creche ilegal: Vizinhos achavam que menores eram "netos" da ama

A casa onde funcionava uma creche ilegal, encerrada na quinta-feira, foi arrendada para habitação e não para comércio e os vizinhos desconheciam a sua existência, bem como os alegados maus-tratos no interior, o que os deixou espantados e confusos.
3 de Junho de 2011 às 12:37
Na creche estavam 15 crianças, com idades entre os seis meses e os três anos
Na creche estavam 15 crianças, com idades entre os seis meses e os três anos FOTO: d.r.

"Ela [a ama ilegal] dizia que eram os seus netos e quando alugou a casa foi para habitação e não para trabalho", disse à agência Lusa a porteira do prédio, situado na Avenida Miguel Bombarda, em Lisboa.  

Foi com espanto que a porteira Isabel recebeu na quinta-feira a visita da polícia, tendo sido só nessa altura que soube que no primeiro andar do prédio onde mora estava a funcionar uma creche ilegal.  

A existência desta creche foi denunciada na quinta-feira durante uma reportagem da SIC, a qual incluiu ainda a divulgação de imagens de maus-tratos da ama a crianças, filmada por vizinhos de outro prédio, que incluem vários estalos aos menores, ainda de fralda.  

Nessa creche estavam 15 crianças, com idades entre os seis meses e os três anos. De acordo com imagens recolhidas por câmara oculta, a maioria passou cerca de 30 minutos no chão, enquanto a ama promovia os seus serviços, pensando tratar-se uma potencial interessada. 

Isabel viu as imagens e ficou surpreendida. Não estranha que os vizinhos desconhecessem a existência da creche, por os mesmos "já terem alguma idade". Os inquilinos estão "surpresos e indignados", adiantou, sublinhando que a senhoria do prédio - que arrendou a casa à mulher - quando fez o contrato foi para habitação e não para qualquer tipo de comércio.  

A notícia também apanhou de surpresa Maria Antonieta, 76 anos, que não sabia que, dois andares abaixo do seu, existia uma creche ilegal. Esta moradora sabia, contudo, que ali estavam crianças, ainda que há pouco tempo.  

Da ama, constituída arguida no âmbito de uma investigação por alegados maus-tratos a crianças, que culminou no encerramento da creche ilegal, Maria Antonieta salienta a "boa educação".  

Como ainda não viu as imagens dos maus-tratos às crianças, esta vizinha da ama prefere acreditar que tudo não passou de uma denúncia de vizinhos que não gostam de barulho. "Deve ser má vontade", disse a septuagenária.  

Desde o "reboliço" que a presença das autoridades provocou no local - suscitando vários comentários dos moradores e vizinhos da ama - que as luzes do primeiro andar onde funcionava ilegalmente a creche estão apagadas. 

Os vizinhos acreditam que a ama não se encontra na residência, desconhecendo, para já, o futuro daquele piso.  

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