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Correio da Manhã

Portugal
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CRIANÇA AFOGADA EM PEDREIRA

Uma criança de cinco anos morreu na segunda-feira afogada numa lagoa sem vedação de uma pedreira no lugar de Portas Fronhas, em Vila do Conde, junto à casa onde residia com o avô.
17 de Julho de 2003 às 00:00
 Tiago, de cinco anos, perdeu a vida na lagoa onde aprendia a pescar
Tiago, de cinco anos, perdeu a vida na lagoa onde aprendia a pescar FOTO: baía reis
Tiago Emanuel Gavina Pereira foi ontem a enterrar no cemitério das Caxinas, em Vila do Conde, num ambiente de consternação.
Os familiares não escondem a revolta pelo facto do dono do terreno - com quem o CM não conseguiu contactar - ter tentado justificar a tragédia alegando que o local se encontra naquele estado há 50 anos e que apenas o herdou há quatro.
Aníbal Silva, tio da criança, disse ao CM que segunda-feira à tarde Tiago avisou a avó que ia ver televisão a outra casa da família, na vizinhança, mas nunca lá chegou.
"O avô procurou-o, e como não o encontrou resolveu ir junto da lagoa, local onde costumavam ir para o ensinar a pescar. Pressentindo o pior, chamou o pai do menino, que resolveu mergulhar na lagoa, mesmo antes da chegada dos bombeiros, para verificar se o filho teria ali caido.Mas foi um mergulhador dos Voluntários de Vila do Conde que acabou por encontrar o corpo de Tiago no fundo da lagoa", disse Aníbal Silva.
Na capela onde velavam o corpo, os familiares lamentavam que o delegado de saúde demorasse quatro horas a chegar ao local, até o corpo ser removido para o Instituto de Medicina Legal do Porto.
FAMILIARES REVOLTADOS
Embora tudo aponte para que Tiago tenha morrido por afogamento, os seus familiares desconfiam que as causas pudessem ter sido outras, dado que a criança tinha problemas cardíacos desde nascença. Tiago Emanuel foi operado três vezes ao coração e era por isso uma criança com a saúde vigiada. Familiares e vizinhos lamentam que o Tiago tenha pago com a vida a ausência de isolamento da lagoa e alertam que se a situação não for alterada podem ocorrer mais tragédias.
"Alguém tinha de morrer para que o dono da pedreira entenda que é preciso solucionar de vez o caso. Para que nada mais aconteça, espero que o proprietário da pedreira mande, pelo menos, bombear a água da pequena lagoa", afirmou uma vizinha da vítima.
Os familiares do pequeno Tiago rejeitam a versão do dono da pedreira, que explica a falta de vedação com o facto de estar a aguardar a aprovação de um projecto para ali construir uma série de habitações, e argumentam com a lei que obriga a que todos os locais inseguros e com poços a céu aberto estejam vedados.
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