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Correio da Manhã

Portugal
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Criança encontrada

A madrugada de ontem revelou a localização do corpo da criança que estava desaparecida desde quarta-feira no rio Guadiana, em Mértola. O corpo do pequeno Bruno, de nove anos, apareceu perto da margem, junto ao cais da vila alentejana, a cerca de um quilómetro do local onde foi visto pela última vez.
3 de Setembro de 2007 às 00:00
Corpos dos desaparecidos recolhidos no cais de Mértola
Corpos dos desaparecidos recolhidos no cais de Mértola FOTO: Pedro Gagelo
Depois de suspensas as buscas subaquáticas ao anoitecer de sábado, prosseguiram no rio os trabalhos de vigilância e patrulha das águas e margens, como aconteceu todas as noites desde que foi montada a operação junto às azenhas do Guadiana. Pouco passava da 01h00 quando um dos botes, tripulado por uma equipa mista das várias forças presentes no local detectou o corpo que ainda não havia sido recuperado.
“Há tendência para que os corpos que permanecem muito tempo debaixo de água venham à superfície com o avançar dos dias, foi o que sucedeu”, disse à Comunicação Social Fernando Pacheco, da capitania do porto de Vila Real de Santo António, comandante das operações no local.
O mesmo responsável admite que se o corpo não tivesse emergido os trabalhos para a sua detecção poderiam ser muito complicados, devido às condições físicas da área de busca: visibilidade muito reduzida debaixo de água, irregularidade do leito do rio e a influência das correntes e marés no local. Em Mértola e no Guadiana estiveram, durante quase quatro dias, cerca de 80 pessoas, entre mergulhadores, equipas cinotécnicas, Polícia Marítima, Marinha, GNR e Protecção Civil.
O dispositivo estava preparado para mais alguns dias no terreno. As operações para o dia de ontem, caso o corpo não tivesse aparecido durante a noite já estavam definidas.
Recorde-se que o outro desaparecido, António Nogueira, pai de Bruno e que foi visto pela última vez quando tentava socorrer o filho, foi recuperado durante a manhã de sábado a cerca de 200 metros do local onde desapareceu. À semelhança do que aconteceu com o pai, o corpo do pequeno Bruno recolheu à Medicina Legal de Beja, onde será autopsiado. Está prevista para hoje a entrega dos corpos à família, para que possam ser realizados os funerais.
A tragédia que assolou a família, residente em Fernão Ferro, Seixal, aconteceu depois de um período de lazer junto ao rio. A zona não está habilitada para a prática balnear, mas é um local escolhido pela população e turistas com muita frequência, embora existam perigos para quem desconhece o local, devido à influência das correntes e das marés.
“Vamos entrar em contacto com todas as autoridades para perceber como podemos actuar na zona ao nível da sinalização, mas é muito complicado interditar o acesso ao rio”, disse ao CM Polido Valente, presidente da Câmara de Mértola.
MOIMENTA VIVE DRAMA DE MÉRTOLA
João Campos, um emigrante português de 47 anos, residente em Lausanne, na Suíça, veio passar um período de férias com a família à sua residência, em Santo Estevão, freguesia da Forca, concelho de Sernancelhe. Na tarde de 31 de Julho, o emigrante e os dois filhos foram tomar banho à Barragem do Vilar, em Moimenta da Beira. Um imprevisto levou o adulto e o filho, Alex Portinha, de sete anos, a submergirem nas águas, o que levou de imediato à realização de uma operação de salvamento, que envolveu bombeiros e nadadores salvadores colocados na praia. Os corpos de pai e filho viriam a aparecer, pelas 23h10 desse dia, a cerca de 15 metros da margem onde ambos tinham entrado nas águas. Estavam ambos a dois metros e meio de profundidade, e distantes dois metros um do outro. Os cadáveres de pai e filho foram autopsiados em Viseu. Logo após o duplo afogamento, o executivo da Câmara Municipal de Moimenta da Beira esteve reunido de urgência para, nos dias que se seguiram, implementar medidas de reforço da vigilância dos banhistas que, todas as épocas balneares, tomam banho nas águas da Barragem do Vilar.
RECTIFICAÇÃO
Sobre a notícia publicada no CM a 3 de Setembro com o título “Moimenta vive drama de Mértola” recebemos do sr. José Campos Portinha a seguinte carta: “ Eu, José Campos Portinha, irmão de João C. Portinha e tio de Alex Portinha, quero contradizer algumas notícias vindas a público, as quais fizeram crer que o meu irmão teria tirado a tarde para “tomar banho” com os filhos e sobrinhos na barragem do Vilar, o que não é verdade, visto que o meu irmão apenas levara as crianças a passar uns instantes de lazer, brincando com uma bola na areia das margens da barragem, pela qual foram traídos quando o vento levou a dita bola para dentro de água, tendo as crianças entrado na água atrás dela. Mesmo vestido, o meu irmão tentou salvar as crianças, não tendo conseguido, acabando por se afogar juntamente com o filho mais novo [...] Espero e desejo que esta tragédia seja a última [...]”.
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