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Correio da Manhã

Portugal
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CRIANÇAS AFOGADAS EM FOSSA E FONTE

Duas meninas, de dois e seis anos, morreram afogadas, em apenas 14 horas, numa fossa doméstica e numa fonte pública em Coruche e Ourém, no distrito de Santarém.
29 de Outubro de 2003 às 00:00
A mais nova, Vera Lúcia Pereira Cardoso, faleceu ontem de manhã quando brincava sozinha no quintal de casa, num monte em São Torcato, Coruche, cedido pela família Ribeiro Telles, ligada à tauromaquia. A menina, com 29 meses de idade, caiu por um dos três buracos de 40 centímetros de largura que existem na cobertura de tijolo de uma fossa séptica, situada nas traseiras da habitação.
O pai tinha ido a Coruche resolver assuntos na Segurança Social e foi a mãe quem encontrou a menina, de cabeça para baixo e já sem vida. “A mãe ficou em estado de choque”, referiu Dolores Paulino, uma vizinha, que depois de ouvir gritos viu Fernanda Cardoso a correr com a filha, morta, nos braços. Joaquim Martinho, tio da Vera Cardoso, explicou que a água no interior da fossa atingia os 60 centímetros de altura e a cobertura de tijolo representava um perigo, por estar danificada.
O acidente ocorreu pelas 09h30. Os Bombeiros Voluntários de Coruche transportaram o cadáver para o centro de saúde local, de onde foi transferido para Santarém, para ser autopsiado. O procedimento da corporação foi criticado pela família. “Levantaram o corpo sem ter chegado o delegado de Saúde. Só depois de chegarem ao centro de saúde é que avisaram a GNR”, explicou Joaquim Martinho.
Os pais da menina vivem, com dificuldades, do salário de pastor de José Cardoso e têm ainda uma filha deficiente, de oito anos, e um filho de sete anos. David Ribeiro Telles lamentou o acidente. “Tenho imensa pena. É uma família carente a quem dei a casa para viverem”, afirmou. O antigo cavaleiro tauromáquico assegurou que “não tinha conhecimento” do estado da fossa e disponibilizou-se para corrigir a situação.
DOR IMENSA
Vera Lúcia foi encontrada pela mãe no interior da fossa, de cabeça para baixo e sem vida. Estava a brincar sem vigilância quando caiu por um dos buracos da cobertura de tijolo. Com 29 meses, a menina tinha começado a andar há pouco tempo. A família, com graves carências, ficou ferida de dor.
"ALGUÉM TEM DE SER RESPONSÁVEL"
A população de Vale do Porto, Ourém, está indignada com a morte de uma menina de seis anos que caiu numa fonte pública desprotegida, quando regressava a casa da escola, anteontem, pelas 17h30. A fonte situa-se a 50 metros da escola básica do primeiro ciclo, do jardim-de-infância e de um parque desportivo, mas não está sinalizada, nem vedada, apesar de atingir mais de dois metros de profundidade.
Carina Pereira Veríssimo tinha ido buscar um primo, de três anos, ao jardim-de-infância, mas ficou a brincar na escola, enquanto o menino regressou a casa. A avó acabaria por encontrar o casaco a boiar na fonte e chamou os bombeiros, que resgataram o corpo pelas 19h40. Chocados com o acidente, os familiares pedem explicações. “Alguém tem de ser responsável”, disse um tio da vítima, António Carlos.
A fonte, diz a população, é da Junta de Freguesia das Misericórdias, mas o presidente da Junta, Joaquim Gonçalves, garantiu que não conhecia a situação. “Tenho que falar com as pessoas e ver o que querem fazer. Eu penso que se deve entupir a fonte”, afirmou.
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