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Correio da Manhã

Portugal
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Crianças conhecem a alegria da família

São filhos de ninguém. Esperam pela decisão de um tribunal que por vezes, tarda e prolonga a angústia dos meninos que sonham em ter uma família de verdade. No Centro de Acolhimento Temporário (CAT) das Irmãs Passionistas de Santa Maria da Feira, as crianças reencontram a alegria de viver, perdida entre abandonos, maus tratos físicos e verbais.
19 de Março de 2007 às 00:00
Religiosas portuguesas, italianas e brasileiras acolhem crianças dos zero aos 12 anos
Religiosas portuguesas, italianas e brasileiras acolhem crianças dos zero aos 12 anos FOTO: Francisco Manuel
“Cada criança tem uma história”, explica ao CM a Irmã Gabriela, uma freira italiana que, a par, das portuguesas Luísa e Carminda e da brasileira Elsa, dedicam a vida a dar amor aos meninos e meninas dos zero aos 12 anos que chegam a esta pequena instituição religiosa, mas aberta à comunidade. O alcoolismo e a prostituição são algumas das causas que levaram os pais a negligenciar – a espancar, às vezes “quase até à morte”– , os meninos que ainda vão ter de passar pela violência da separação familiar.
“Chegam assustados e inseguros”, e por isso é preciso uma intervenção cuidada das Irmãs Passionistas, que, acabam sempre por ter a “ajuda dos outros meninos que funcionam como elemento calmante”. Eles já passaram por isso e, mesmo sem se aperceberem, dão segurança aos que chegam.
As quinze crianças do CAT vivem “num ambiente familiar” com o apoio permanente das irmãs a quem tratam pelo nome próprio, e dos voluntários que dedicam as suas horas livres a esta causa. “Podem contar connosco, porque estamos sempre presentes ”, garante a irmã Gabriela.
ALEGRIAS E DESILUSÕES NA ADOPÇÃO
“Tenho pai e mãe, por que estou aqui?”, é a pergunta frequente quando chegam. Os mais crescidos são os que revelam maior revolta. A dor aumenta à medida que o tempo passa, porque, “é muito doloroso ser filho de ninguém e riscar do vocabulário as expressões pai e mãe”, explica a responsável. A hora da partida, quando finalmente chega uma decisão do tribunal que os liberta para adopção, é de alegria para os escolhidos, mas de grande mágoa para os que ficam: “Por que é que não me escolheram a mim”, perguntam, entre lágrimas contidas. Nada lhes é escondido, explica a freira, a relação é sustentada na confiança e, por isso, “todos sabem que existe um juiz e um tribunal, e que são eles que decidem a vida deles”.
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