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Correio da Manhã

Portugal
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Crianças devem usar menos telemóvel

Especialistas portugueses defendem que a utilização de telemóveis por crianças deve ser feita com restrições, tendo em conta o desenvolvimento físico, próprio da idade, e o facto de os efeitos negativos das radiações não estarem devidamente comprovados.
3 de Setembro de 2007 às 00:00
Exposição aos campos electromagnéticos são uma preocupação dos especialistas, que aconselham cautela
Exposição aos campos electromagnéticos são uma preocupação dos especialistas, que aconselham cautela FOTO: d.r.
Nuno Teixeira, responsável pelo departamento de Física da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, aconselha a restrição do uso de aparelhos telefónicos móveis pelas crianças, já que a sua estrutura está em formação e – tendo mais anos de vida pela frente – também tem um maior período para desenvolver eventuais problemas de saúde. António Tavares, por sua vez, coordenador do departamento de Saúde Ambiental do Instituto Ricardo Jorge, lembra que a caixa craniana das crianças é mais fina e, por isso, mais permeável à penetração das radiações dos campos magnéticos.
Esta recomendação é feita de forma a serem evitados eventuais problemas no futuro, uma vez que os efeitos negativos para a saúde não estão provados cientificamente.
Em Agosto, o CM divulgou um relatório da Direcção-Geral de Saúde, no qual se considera como possível “que uma intensa exposição aos campos electromagnéticos nas habitações possa aumentar ligeiramente os riscos de leucemia infantil e que esta exposição nos locais de trabalho possa aumentar ligeiramente os riscos de leucemia e tumores cerebrais em adultos”.
CANCRO EM LINHAS DE ALTA TENSÃO
As populações mais próximas de postes de alta tensão ou de linhas ferroviárias têm maior propensão para contrair doenças como cancro. Estudos internacionais, garante Nuno Teixeira, já demonstraram que “a presença de uma linha eléctrica muito forte pode levar ao aumento de patologias do foro oncológico”. Um estudo da Universidade de Oxford, em Inglaterra, indicava que pessoas a viverem num raio de cem metros de linhas de alta tensão têm uma probabilidade muito elevada de contraírem cancro. Apesar destes relatórios, os cientistas ainda não decifraram qual o mecanismo biológico que explica estes resultados.
NOTAS
ANTENAS SEGURAS
“Como a antena emite em determinado angulo, dirigindo um feixe para um ponto, as radiações são mais intensas nos prédios que estão na zona do foco”, explicou António Tavares, referindo-se às antenas colocadas em prédios.
RISCO NO QUARTO
Leitores de MP3, computadores, aparelhagens ou televisões também emitem radiações. A sua intensidade é insignificante.
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