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“Crime informático já atinge os telemóveis”

Diretor do combate ao crime informático da PJ aponta a infoexclusão como potenciadora de vários delitos.

16 de outubro de 2017 às 08:43

Carlos Cabreiro dirige, desde o início de 2017, a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UN3CT) da PJ. Com 25 anos de experiência, o investigador adverte que o crime informático está a alterar plataformas. Se antes eram especialmente vulneráveis os utilizadores dos computadores pessoais, hoje o perigo existe também nos smartphones e iPads.

CM – Existem escalões etários mais vulneráveis ao crime informático?

Carlos Cabreiro – O uso da internet generaliza-se de tal forma que torna difícil encontrar um perfil de autor e de vítima. Mas há criminalidade que pode afetar quem esteja menos informado em termos informáticos. Aí sim, podemos encontrar um escalão etário mais vulnerável por as tecnologias não fazerem parte da sua rotina.

CM – Há algum tipo de delito que exemplifique isso?

– Sim, a pornografia de menores, com crianças utilizadoras de novas tecnologias a serem usadas por criminosos, e alvo de fotografias em atos sexuais. Existe também um mercado de produção e distribuição de filmes. Portugal está equiparado ao resto da Europa nesta área.

CM – Portugal é pais produtor de pornografia de menores?

– Já encontrámos situações, residuais, em que o material pornográfico era feito em Portugal. Para que assim continue, o país é membro da base de dados da pornografia infantil, dirigida pela Europol.

CM – Que prevenção pode existir nestes casos?

– Penso que a mensagem a passar é de que o crime informático está a alterar plataformas. Passou dos computadores pessoais, para os iPads e smartphones, com capacidade de recolha de fotos e vídeo.

CM – A Unidade que dirige tem os meios necessários?

– A PJ tem peritos com capacidades de investigação perante esta realidade que é de grande mutação. A UN3CT, só em Lisboa, tem 45 pessoas a trabalhar. Queremos adaptar os recursos às necessidades de trabalho a nível nacional, e isso passa obrigatoriamente pelo recrutamento de pessoas.

Perfil 

Carlos Cabreiro, 51 anos, é transmontano. Entrou para a PJ em 1991, para o crime económico e, no ano seguinte, assumiu a coordenação da luta contra o crime informático. Este grupo cresceu, tendo evoluído para uma secção de combate ao crime, inserida na PJ de Lisboa. Desde o início de 2017 que Carlos Cabreiro dirige a Unidade  Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica.

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