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Correio da Manhã

Portugal
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Crime sem castigo

O PSD, com a sua atitude na Câmara de Lisboa, mostra até que ponto o crime neste sítio não só compensa como fica sem castigo.
3 de Dezembro de 2007 às 09:00
Crime sem castigo
Crime sem castigo
A Câmara Municipal de Lisboa deve centenas de milhões de euros a cerca de sete mil empresas. Estas dívidas duram há anos e os credores quando receberem, se receberem, já sabem que a autarquia, a exemplo do que se passa com qualquer organismo estatal, não irá pagar um cêntimo de juros. O presidente da Câmara, o socialista António Costa, revelou recentemente que algumas obras que estavam paradas por falta de pagamentos não puderam ser retomadas porque, pura e simplesmente, os empreiteiros já tinham falido. Agora, com uma proposta de empréstimo de 500 milhões de euros em cima da mesa, o PSD ameaça chumbá-la na reunião da amanhã da Assembleia Municipal, na qual dispõe de maioria absoluta.
Os factos são estes, puros e duros. E dramáticos para milhares e milhares de credores da Câmara, para milhares e milhares de trabalhadores que já ficaram sem trabalho e para outros tantos que podem ir parar ao desemprego. Tudo isto acontece numa democracia, tudo isto acontece num Estado de Direito, tudo isto acontece num sítio sem vergonha na cara, cada vez mais perigoso e cada vez mais mal frequentado. Ninguém entende as razões do PSD para chumbar o empréstimo. Ninguém percebe que estes senhores, responsáveis por uma parte significativa das dívidas, tenham o descaramento de vir agora chumbar um empréstimo fundamental para a sobrevivência de muitas empresas e para a resolução de muitos problemas da cidade. Sem fornecedores, sem o pagamento de serviços fundamentais, a capital deste sítio continua a estar suja, esburacada, feia, sem qualquer espécie de qualidade.
É extraordinário como os senhores e senhoras da política, praticamente sem excepção, desprezam olimpicamente os mais elementares direitos dos cidadãos. É espantoso como os partidos, nas autarquias ou no poder central, acumulam irresponsavelmente dívidas sobre dívidas que não pagam a tempo e horas. É criminosa a forma como o Estado, o Estado controlado pelos partidos e pelos seus enormes aparelhos e clientelas, usa e abusa do poder, na maior parte das vezes em seu próprio proveito e com um total desprezo pelos direitos, liberdades e garantias dos indígenas que não tiveram a sorte de partir deste sítio e estão condenados a suportar bandos sucessivos de garotos que vivem do Estado, nunca lhes falta o ordenado ao fim do mês e ainda se queixam de não ter mais prebendas e mordomias.
A pouca-vergonha já não tem limites. O PSD, com a sua atitude na Câmara de Lisboa, mostra até que ponto o crime neste sítio não só compensa como fica sem castigo.
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