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Correio da Manhã

Portugal

“Crimes destes ficam impunes”

Nos últimos dias, não são os brincos nem os colares tradicionais que juntam dezenas de pessoas em frente à montra do Museu da Ourivesaria Tradicional, em Viana do Castelo, conhecido como Museu do Ouro. A razão pela qual clientes e residentes se atropelam para chegar mais perto da montra é um vídeo exposto pelo proprietário, que divulga imagens do violento assalto ocorrido no estabelecimento há quase dois anos. "Dá a sensação de que crimes destes, de extrema violência, ficam impunes. Estiveram um ano em prisão preventiva e, devido a um erro processual, acabaram por ser libertados e nem sequer têm apresentações periódicas às autoridades", diz Manuel Freitas ao CM, visivelmente indignado.
11 de Agosto de 2009 às 00:30
As imagens do sistema de vigilância mostram os assaltantes aos tiros e a destruir todas as montras do museu e da ourivesaria contígua
As imagens do sistema de vigilância mostram os assaltantes aos tiros e a destruir todas as montras do museu e da ourivesaria contígua FOTO: Gisela Caridade

Revoltado com a libertação de quatro dos assaltantes, que aguardam julgamento, Manuel Freitas decidiu mostrar ao público as filmagens do sistema de videovigilância que, em Setembro de 2007, registou o violento assalto, em que clientes e funcionários foram ameaçados, antes de um tiroteio entre a polícia e os criminosos. Para o proprietário do Museu do Ouro, esta é a melhor forma de não deixar a situação cair no esquecimento e alertar os colegas para as medidas de segurança. "A revolta é minha, mas é também um alerta para outros ourives, que ficam a saber como se podem prevenir. Com a porta fechada, com vidros à prova de bala, que não tinha na altura e que agora tenho, e com sistemas de segurança", explica.

Quem assiste às imagens, não fica indiferente à violência e mostra-se solidário. "Salta-me o coração quando vejo. Param muitas pessoas a ver e ficam chocadas. Ele fez bem em mostrar o vídeo. Não se entende por que motivo foram libertados", disse ao CM Graça Ferreira, proprietária de uma confeitaria na mesma rua.

No assalto, foram roubados 800 mil euros em peças. Um dos ladrões foi morto a tiro e um cliente ficou paraplégico após ter sido baleado na coluna.

LIBERTADOS DEPOIS DE UM ANO DE PRISÃO

Apenas um dos cinco suspeitos do assalto está em prisão preventiva, desde Dezembro de 2008, quando se apresentou ao Tribunal de Viana. Os outros quatro, com idades entre os 20 e os 24 anos, estavam presos, mas acabaram por ser libertados já no final de 2008, devido a um erro – na declaração do processo, como era excepcionalmente complexo, os arguidos não tiveram a possibilidade de se pronunciar e caiu o argumento para prolongar a prisão preventiva. Acusados dos crimes de associação criminosa, roubo, homicídio qualificado na forma tentada, ofensa à integridade física, falsificação de documentos e detenção de arma proibida, aguardam julgamento com Termo de Identidade e Residência. Sexto elemento foi abatido durante o assalto. O julgamento começa depois das férias judiciais.

"ATÉ PODEM SER CANDIDATOS A DEPUTADOS"

Manuel Freitas mostra-se revoltado com a Justiça portuguesa, devido à forma como tem sido conduzido o processo do Museu da Ourivesaria Tradicional. Considera demasiado tempo ter de aguardar dois anos pelo início do julgamento: "Não elegemos políticos para fazer leis em que criminosos, que ainda são só arguido mas sobre os quais há provas tão evidentes de crime, possam até vir a ser candidatos a deputados, já que estão em liberdade e não foram ainda julgados", diz em tom irónico.

PORMENORES

VÍDEO ÀS SETE DA TARDE

O resumo dos momentos de horror vividos no assalto só pode ser visualizado a partir das 19h00, todos os dias.

OUTRO ASSALTO

Além do caso de 2007, o público pode assistir também a imagens do primeiro assalto ao museu, em 2003. Neste caso, os ladrões nunca foram encontrados.

CLIENTES PRESERVADOS

Antes de expor o vídeo, Manuel Freitas quis proteger a identidade dos clientes, cortando cenas que os identificassem.

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