Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
5

Crimes retirados a advogado preso

Dois crimes de abuso de confiança foram ontem retirados da acusação do Ministério Público a Luís Sommer Martha, o advogado que está a ser julgado por burla, falsificação de documentos, branqueamento e abuso de confiança.

14 de Outubro de 2010 às 00:30
Luís Sommer Martha ontem à saída do tribunal
Luís Sommer Martha ontem à saída do tribunal FOTO: Luís Costa

O jurista está em prisão preventiva há 21 meses desde Janeiro de 2009. Ficou ontem a saber, durante o julgamento no Tribunal de Vila Real de Santo António, que duas das queixas contra ele foram retiradas. Também os pedidos de indemnização foram anulados.

Sommer Martha estava acusado de quatro crimes de burla qualificada, três de falsificação de documentos, um de branqueamento de capitais e quatro de abuso de confiança. Os queixosos terão sido lesados, no total, entre três a quatro milhões de euros (ver caixa). Dois deles, ao que o CM apurou, terão chegado a acordo com a defesa do jurista, com a garantia de devolução do dinheiro. Outros acordos poderão ser feitos.

Ontem, foram ouvidas testemunhas, entre as várias, um gerente bancário e as esposas de dois dos lesados. Mariana Gago admitiu ter assinado uma procuração a dar poderes a Sommer Martha para negociar uma moradia. Mas garantiu que "a intenção era conseguir financiamento para pagar a hipoteca e nunca vender". A casa, avaliada em 2,8 milhões, foi vendida à sociedade Inter Círculo, que pagou uma dívida do proprietário de 350 mil euros ao banco Montepio. Os proprietários ficaram sem o resto do dinheiro.

A próxima sessão de julgamento foi marcada para o dia 28.

HOTEL TERÁ RENDIDO UM MILHÃO

Um dos casos em que Sommer Martha é acusado de burla está relacionado com a venda do Hotel Guadiana, em Vila Real de Santo António. O advogado é suspeito de se ter apoderado de cerca de um milhão de euros, valor da venda do imóvel, através de procurações que obteve, alegadamente, com falsos pretextos evocados aos proprietários. O comprador, por seu turno, terá pedido um financiamento para a compra do hotel, dando para hipoteca o próprio hotel. Os proprietários ficaram sem o imóvel e sem o dinheiro pago pelo interessado.

O edifício, um dos mais emblemáticos da cidade pombalina, está encerrado. A autarquia já pediu ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico a sua classificação como património municipal para invocar o interesse público e tomar posse do imóvel.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)