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Correio da Manhã

Portugal
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Crimes tramam oficiais e polícias

Sete com penas suspensas por extorsão, tráfico e peculato.
Magali Pinto 14 de Dezembro de 2016 às 08:40
PSP
PSP FOTO: iStockphoto
Em setembro de 2010, o subcomissário José Canilho foi contactado por um amigo que lhe pediu um serviço urgente – o seu irmão, casado, tinha engravidado uma brasileira mas não queria destruir o casamento. José Canilho recebeu a mulher no seu gabinete na esquadra do Estoril e deu-lhe um aviso claro. Se não abortasse prendia-a e mandava-a para o Brasil. A mulher, ilegal no País, teve um ataque de pânico – três dias depois sofreu um aborto espontâneo.

O subcomissário é um dos sete polícias que foram condenados, segunda-feira, no Campus de Justiça. Em causa vários crimes de coação agravada, extorsão, tráfico de droga, abuso de poder e peculato. O oficial foi condenado a cinco anos suspensos. O agente Filipe Magee foi condenado à mesma pena.

Os restantes polícias ficaram com condenações entre os dois e os quatro anos de prisão suspensa. A nenhum deles foi aplicada prisão efetiva por serem primários, serem considerados bons polícias e estarem integrados na família.

Este processo ficou conhecido pela megainvestigação a um esquema de segurança privada ilegal, mas toda a prova desse crime acabou por ser deitada ao lixo, uma vez que a moldura penal não suporta escutas telefónicas e por isso todos os arguidos que estavam acusados deste crime acabaram absolvidos.

Hélder Cristóvão, advogado de três polícias, escusou-se a muitos comentários sobre as penas que foram aplicadas, referindo apenas que vai apresentar recurso ao Tribunal da Relação de Lisboa.
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