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Correio da Manhã

Portugal
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CRIMINALIDADE ATINGE MENOS PORTUGUESES

É o balanço menos negativo dos últimos três anos. Nos últimos doze meses, dezasseis cidadãos portugueses foram mortos na África do Sul. “É uma evolução positiva”, considerou, em declarações ao Correio da Manhã, o secretário de Estado das Comunidades Portugues, José Cesário.
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
Sérgio de Castro, um jovem de 22 anos, foi o primeiro nome na lista de emigrantes assassinados em 2003. A 18 de Janeiro foi degolado na Cidade do Cabo durante um ataque a um bar. De resto, a violência extrema foi uma das características de muitos dos crimes que atingiram a comunidade portuguesa a residir na África do Sul.
Tal como a Venezuela, o Brasil ou a Argentina, a África do Sul é um ‘país de risco’. Desde 1990, terão morrido três centenas de emigrantes portugueses assassinados. A tendência, crescente até há dois anos, tem vindo a alterar-se desde 2001.
“Há aqui uma evolução que podemos considerar positiva. Foram registados menos mortos do que os 29 do ano passado e estamos muito longe dos 31 mortos de 2001 ”, esclareceu José Cesário. “Mas sabemos que os problemas não desapareceram.”
Em Maio, numa quarta-feira, dia 14, dois irmãos portugueses foram assassinados. Onze dias depois, em Joanesburgo, um outro emigrante foi executado com um tiro na cabeça. Até ao fim do ano, a Polícia sul-africana registou ainda entre a comunidade portuguesa um homicídio com quatro tiros e um homem de 67 anos morto com barras de ferro.
António Abreu foi o último. Preparava-se para fechar a loja, na tarde de segunda-feira, 27 de Outubro, quando três jovens, um deles seu empregado, assaltaram o estabelecimento e o mataram a golpes de catana. Tinha também 67 anos.
Vítimas, sim, mas os emigrantes portugueses, por vezes, são também agentes do crime num país onde a comunidade – entre primeira, segunda e terceira geração – chega a quase meio milhão de pessoas. “Neste número, sabemos que há casos de pobreza e socialmente difíceis, alguns que beneficiam mesmo dos nossos programas”, reconheceu Cesário.
Há duas semanas, e tal como o CM noticiou, um madeirense de 32 anos foi detido em Joanesburgo por suspeita de liderar uma rede de produção e tráfico de drogas sintéticas.
TERRORISMO IMPLICA DOIS
O homem de 50 anos parece ter agido por amor. Em Outubro, quando estava no aeroporto de Bruxelas, na Bélgica, usou o telemóvel para fazer uma ameaça de bomba a bordo de um avião que se preparava para partir de Copenhaga, na Dinamarca, rumo ao Egipto, com a sua namorada a bordo. A chamada foi localizada e, à chegada ao aeroporto dinamarquês de Kastrup, o emigrante português de 50 anos foi detido.
O caso de José Pestana também envolve explosivos e um aeroporto. Só que, no caso do madeirense, a Justiça inglesa condenou-o este ano a dez anos de prisão por preparar um ataque à bomba num restaurante do aeroporto de Gatwick, em Londres. O emigrante português tinha sido despedido sem receber indemnização.
BRISTOL FOI HÁ UM ANO
O crime chocou a cidade inglesa de Bristol. Um português de 41 anos, António Marques, assassinou dois compatriotas à facada depois de uma discussão na madrugada de 3 de Janeiro de 2002. Os três homens, e uma cidadã brasileira, única testemunha do crime, ferida à facada, partilhavam uma casa na Rua Dunster, em Knwole West, Bristol.
O alegado homicida foi detido pela polícia britância pouco tempo depois do crime e encontra-se há já alguns meses numa prisão destinada a reclusos com problemas do foro psiquiátrico a aguardar o desenrolar o processo. António Marques é acusado de duplo homicídio e de ataque com intenção de matar a cidadã brasileira.
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